Voltei!! Diário da Lesionada...

Excesso de trabalho+falta de tempo+lesão no tornozelo = chá de sumiço e abandono do blog.
Depois da meia maratona do Rio, tive uma big crise de sinusite que me derrubou e tive que tomar muito remédio para participar da Volta à Ilha de São Francisco do Sul, uma prova linda, em equipe com as meninas do Clube Bela Vista, que valia um post, com certeza, mas na época não tive tempo realmente de escrever, estava trabalhando demais. 
A prova no Rio já tinha sido dura, e em São Chico estava um calorão inesperado, com três trechos para mim, sendo um na praia com a travessia do riozinho (fotos no face), um de asfalto sem sombra nem brisa, e um do mesmo jeito, mas em subida contínua. Para quem estava se recuperando, nada bom. Valeu pela turma, pela chegada, pela diversão no caminho. Prova aprovadíssima que recomendo. Pena que eu não estava 100%.
E eu quis fazer uma das provinhas mensais do Bela Vista, à noite, em uma quinta feira, porque nunca tinha ido, só 5km. E depois tinha corrida para as crianças, Arthur se empolgou. Fui e me arrependi muito. Não enxergo bem à noite, e naquela pista sem iluminação só piorei. Não conhecia a pista, é pesada, eu não rendia nadaaaaaaaaa. Terminei triste e com uma dorzinha de leve no tornozelo direito. 
Corri na rua depois disso, tudo certo, e um sábado de manhã fui fazer um treino básico de esteira porque chovia, e eis que no final meu tornozelo estava uma bola, e doía muito.
Apavorei. Sério. Básico: gelo, repouso, Advil. Depois acrescentei cataflan spray. 
A única vez que corri depois desse dia foi em outubro, dia 12, na cidade de Vina Del Mar, no Chile, 10km numa meia maratona, porque já estava inscrita há meses, era minha corrida de viagem de férias. Fui sofrendo, com medo, e enchi de spray antes, tomei advil, tudo o que podia fazer no momento. O lugar era lindo para correr, tudo à beira mar, temperatura perfeita, mas não aproveitei o que podia, porque era aquela tensão. Até parou de doer durante a prova, naturalmente, mas no dia seguinte e nos outros foi bem difícil.
De volta para casa, fiz o que a gente nunca quer fazer: ir ao médico. Porque a impressão que se tem é de que, enquanto você não for ao médico, na verdade não está lesionada, machucada, nem nada. É só uma dor, que vai passar, a qualquer momento. A ida ao médico arruína a esperança de que seja um engano e uma dor à toa. No caso de lesões, a ida ao médico é para encaminhar para fazer exames de imagem, no caso ressonância magnética, que resultou no que  o ortopedista que fui inicialmente, e o médico do esporte logo depois, suspeitavam (apenas com R$ 500,00 a mais): fratura por estresse com alguma tenossinovite.
Várias coisas são horríveis quando se está lesionada, e uma delas é tentar responder às perguntas das pessoas: "você torceu?"; "você caiu?"; "você correu estressada?" (adorei essa) "como isso foi acontecer?" (é a melhor). Fora os diagnósticos familiares: "foi de tanto correr", "também, fazendo isso tudo"... Minha mãe, que detesta que eu corra, parece bem felizinha, perguntando do meu pé para poder dizer: "é, correr não dá mesmo". A podóloga também me pareceu alegre...
A verdade é que é uma m. Simples assim. E no caso da fratura por  estresse, o pior é que não há muito a fazer. Usei a botinha por algumas semanas. Foi a treva. Glamour zero. Calorão. E era um tal de tirar para dirigir, tirar para fazer musculação...Depois o médico disse que não adiantava mais, ela não me ajudaria mais do que até então. E então, o que podemos fazer? Repouso. Oi? Eu? repouso?
Mas nem tudo estava perdido. Eu posso nadar, pedalar e fazer musculação, um luxo. Não posso é nada com impacto, porque a fratura por estresse é causada pelo impacto da corrida. Mas é uma dor não insuportável, mas incômoda, daquelas que não dá para esquecer. Salto também foi excluído (logo eu, ai que tristeza usar sapatilha e rasteira), mas mesmo de sapato baixo, qualquer caminhada fazia doer, mesmo no supermercado, na rua...
Tudo bem. Do limão à limonada. Pensei comigo: é a chance de aprimorar meu pedal e ser uma triatleta de verdade, das que sabe pedalar, e não das que anda de bike (é bem diferente). Tive uma oportunidade de vender minha bike, achei que era um sinal. Comprei bike nova, pedal legal, Zanichelli deixou a lindinha no ponto para sair por aí. Pedalar é legal, mas o empenho é grande, porque não pode chover, tem que ir até algum lugar seguro, tem que ter tempo (correr uma hora é bastante, pedalar uma hora não é nada). Considerando o volume de trabalho no final do ano e as mudanças que aconteceram, não consegui atingir meu objetivo. Na verdade, mal comecei a pedalar.
Nadei muito no final do ano,  a louca da piscina, e fiz bastante musculação. Mas como eu sempre disse, sou uma corredora que nada e agora pedala. Então, não é a mesma coisa. Correr é o melhor. Nadar para relaxar da corrida é bom demais. Nadar e nadar e nadar não é tão legal. 
Dr. Tiago passou uma suplementação punk de calcio, vitamina D, vitamina K e magnésio, para ajudar na recuperação. E final de ano a gente já dá aquela parada mesmo, bom para o tal do repouso. De resto, só gelo, mas três meses de gelo ninguém merece nem aguenta. Esse negócio de não ter o que fazer é muito ruim. Não é o caso de fisioterapia, de imobilizar, de nada. É esperar. E eu realmente sou uma pessoa que não sabe esperar sem fazer alguma coisa. Se me dissessem que xixi de camelo curava, eu saía por aí procurando.
De quebra, surgiu minha vaga em Balneário Camboriú para trabalhar! Meu sonho. Sempre quis, e a ideia de correr na orla é algo que me encanta. Só que não pude ainda. Dói às vezes, mesmo sem fazer praticamente nada, que é como estou desde meados de dezembro. Sinto uma melhora nos últimos dias, finalmente, e estou fortalecendo caminhando na praia com água no joelho, dá uma canseira e não dói, mas não me parece que já estou boa, ainda dá uma inchada em alguns dias,  não sinto a coisa bem consolidada, e o pior é o medo. Medo de doer, medo de travar, medo de me quebrar mais, medo de acabar me acostumando a não correr. Terei que voltar em terrenos sem impacto, areia, grama, isso já sei, e tudo certo. Mas saber quando é a hora certa é difícil.
Fico triste de acordar de manhã cedo com o Arthur em Floripa e saber que não vou dar aquela corridinha antes de irmos para a praia.
E fico pensando em tudo o que fiz para tentar descobrir  a causa. Já li muitas coisas sobre a lesão, e até agora acho que foi o "conjunto da obra": treinos excessivos para o Desafrio de Urubici (pior é nem gostar da prova...), a prova em si, com outras provas de média ou longa distância no período, querendo fazer tempos razoáveis. Afinal, de maio a setembro fiz Urubici e três meia-maratonas, o que para mim é bastante, além das outras provas menores. 
Tentei mudar meu perfil de corredora e  me dei mal. Achei que na minha idade ficaria menos competitiva nas provas de 10km (o que é verdade), minha paixão, e então seria melhor migrar para 21km, aos poucos, e conseguir tempos melhores. Só que gosto e me divirto mais em provas mais curtas, até 10 milhas acho bem delícia. Meia maratona é para passear, não para sofrer. Prova de aventura também, tem que ter a diversão como São Chico, e não o sofrimento de Urubici. A variação de terrenos para mim é ótima, mas não pode ser a trilha do inferno para ficar xingando. 
Gosto de correr, e a verdade é que quanto maior a distância e a dificuldade, mais se caminha e menos se corre com velocidade.
Adoro participar de provas, por mim uma a duas por mês seria o ideal, anima para treinar. Só que treinando para provas mais difíceis e meia maratona, não dá para fazer tanta prova. Acreditei que me acostumaria a menos provas, mas não curti.
Também acho que me empolguei com os tênis mais leves, com menor amortecimento, e eu não sou uma corredora leve (autocritica é um troço importante), comecei a pisar errado.
Parei de prestar atenção na técnica de corrida, e isso também foi um erro. Corro mais corretamente quando corro mais rápido, e provas mais longas e duras fazem a gente relaxar a postura e a técnica. 
E eu sempre me preocupei em fazer a musculação certinho porque acredito que temos que ter a musculatura forte para suportar a carga do impacto da corrida. E deu certo, até certo ponto. Além disso, não sou fininha, meu perfil é de força, o que também facilita para provas mais curtas. Mas no tornozelo não tem musculatura para proteger, é osso e pronto. 
Descobri uma série de coisas sobre a minha pessoa "enquanto" atleta amadora, e uma delas foi que o triathlon, provavelmente, será algo para lazer e sempre em curta distância. Complemento e cross training. Digo isso porque sem correr o resto não tem a mesma graça. Quem me dera gostar de zumba! Só me acho patética dançando aquilo. Também não sirvo para ioga, mas agora já estou pensando em roller. O negócio é me movimentar.
Enfim, tudo é aprendizado.
Eu comecei 2014 pensando em maneiras de continuar competitiva, mudar perfil, baixar tempo. E começo 2015 beeeem mais humilde: só quero voltar a correr. O mais rápido possível.
Desejo um ano cheio de saúde, vontade e disposição para fazer uma atividade física que faça você feliz.  














Comentários

  1. Oi Déia,

    é triste ler o teu sofrimento em palavras, mas acredite: continue se cuidando e vai passar :-)

    Corrida a pé é mesmo duro pro corpo e fratura por estresse acontece por sobrecarga - não necessariamente pelo excesso de atividade apenas, falta de recuperação adequada (horas de sono c/ qualidade, recuperação ativa via alongamento/piscina/pedal/água do mar/..., alimentação balanceada) também é um fator de peso. E correr à base de Advil e Cataflan só complica, mas eu acredito que você já sabe disso.

    Me chamou atenção o uso dos tênis mais leves - o que complica nos chamados tênis "minimalistas" não é tanto o menor amortecimento em sí mas o fato de eles terem menos *estrutura*. O corpo, que até então dividia essa responsabilidade com os tênis, precisa agora se ajustar à menor estabilidade proporcionada por esses modelos e geralmente esse ajuste é feito à nível de quadril, joelhos, tornozelos ... Quando corremos em velocidade, no plano, faz menos diferença. Guarde eles para os intervalados na pista e para as provas curtas ;-)

    E se você não leu ainda, te aconselho o livro "Born to Run", do Christopher McDougall. Existe uma edição em português, não tenho certeza do nome. Para nós, corredores, o livro é uma delícia e ajuda a entender uma porção de coisas sobre corrida, tênis e recuperação de lesões. E, sim, o autor voltou à correr, e bem: http://www.outsideonline.com/fitness/agility-and-balance/natural-born-heroes/Fitness-Reboot-Total-Body.html

    Te desejo paciência e um retorno seguro às pistas - 2015 está só começando ;-)

    Fernando

    PS: eu achava que a D. Bernadete iria preferir te ver correndo à te ver pedalando!

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  2. Ai, Fernando, querido, obrigada. Sim, eu cometi vários erros durante 2014, e acho que escolhi mal muitas coisas: provas, tênis, percursos...tenho pensado muito e vou voltar a correr como quando comecei: fazendo tudo como manda o figurino mais tradicional e conservador. Não sou das corredoras que "nasceu pronta", meu negócio é pela disciplina e treino. Veja o próximo post!! Ah, sobre a bike, na verdade minha mãe não entendeu muito bem do que se trata, por ela eu só faço natação! beijos!

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