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Realizando o sonho, ainda que com atraso: a Meia Maratona de Berlim

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Quando era adolescente, meu irmão Cesar viajou para a Alemanha com um amigo; em 2012 ou 2013, meu irmão Ralf viajou com meu pai e a mãe dele para a Alemanha. Ambos patrocinados pelo nosso pai. Eu era a única a nunca ter ido. Percebendo minha falta de curiosidade, digamos assim, em conhecer o país dos ancestrais paternos, meu pai quis me oferecer uma viagem para correr em Berlim, ou alguma outra cidade da Alemanha, que eu só me interesse se fôssemos juntos. (aqui eu conto isso com detalhes https://vidaeumacorrida.blogspot.com/2017/11/diarios-de-viagem-parte-1-por-que-palma.html) Era 2017, não deu certo plano A,  que pena, mas ainda assim ele me pagou a "viagem para correr" daquele ano, em Palma de Mallorca, que até hoje foi a meia maratona mais linda que eu já fiz, na época fiz um baita tempo, e entreguei a medalha para ele quando cheguei, ele ficou bem feliz. (https://vidaeumacorrida.blogspot.com/2017/12/corri-minha-melhor-meia-maratona-em.html ) Mas eu sei que ele queria que...

Por que eu (ainda) adoro correr meia maratona

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Quero começar dizendo que distância não define se alguém é corredor. Nem velocidade, Raquel Castanharo tem razão. Já falei sobre isso muitas vezes, mas como são pessoas diferentes que leem, digo de novo: 5km, 10km, 15km, 21km, 42km, 56km, cada distância tem sua alegria e seu sofrimento. E sair para correr 5km é muito mais do que faz a maioria das pessoas do mundo, aquelas que estão no sofá. Mas faz tempo que eu descobri que a meia maratona, ou seja, os 21.097km, é a minha prova favorita. Não pretendo tentar catequizar ninguém (ok, talvez impressionar), mas mostrar por que para mim funciona. Tem uma frase que ouvi na expo da maratona e meia de Amsterdam, quando eu disse que ia fazer a meia, e não a maratona: o dobro da alegria, metade do sofrimento. Para mim foi lindo.  Primeiro porque eu não acho que precise correr maratona para provar que sou uma corredora "de verdade" e "respeitável". E isso eu aprendi com meus treinadores ao longo dos anos, vendo gente incrível c...

Corri a Meia Maratona de Lisboa!

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  Passado um mês da prova, me sinto mais pronta para falar sobre ela, razão da minha viagem solo em março. Sim, quando o objetivo principal da viagem é uma corrida, eu gosto de ir sozinha, porque eu acho que fico muito chata nos dias que antecedem a prova. Sou cheia de rituais, e ninguém que não vai fazer a mesma coisa que eu precisa aturar isso. E de toda forma gosto de viajar sozinha, e já começo contando isso porque muita gente me pergunta com quem eu fui. Enfim. A inscrição foi feita meses antes, num "ooops, me inscrevi". A meia de Lisboa agora é uma super half. Assim como existem as maratonas chamadas "majors", que, quando concluídas, dão direito a uma mandala, agora criaram as super halfs, mesma pegada, para meia maratona. Adorei a ideia, porque ando bem sem paciência e tempo para treinar para uma maratona. A verdade é que adoro uma meia maratona. A gente treina para ela tendo vida, não fica exausta no processo, e depois da prova segue para qualquer festa, jur...

Histórias não relacionadas à corrida: Dias de Sol

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  Mês passado eu assisti, no salão pleno do Tribunal Superior do Trabalho, como parte das atividades do Seminário de Trabalho Decente,   ao filme Pureza. Brasileiro, de Renato Baratieri, tem como tema de fundo a escravidão na área rural. É uma história real, tão real que alguns atores são trabalhadores libertos. Libertos porque não há outra palavra para descrever ao que eram submetidos até então: escravidão. Nada moderna ou contemporânea. A história da Pureza e do seu filho Abel não se passa no início do século 20. É do início do século 21, quando, segundo Domenico de Masi, estaríamos usufruindo do nosso ócio criativo, deixando as máquinas realizarem o trabalho pesado e enfadonho, e nós nos dedicaríamos às artes, às conversas, à natureza, tendo, naturalmente renda distribuída adequadamente. Não vou dar muito spoiler porque recomendo fortemente que todo mundo assista ao filme. Tem que ver. Tem que ver e sentir,   sofrer,   lamentar,   se revoltar, e não enten...

Ficar velha x envelhecer - nós e Madonna

  Então é isso, a Madonna está diferente. Sim, ela também. Todo mundo mudou nos últimos   trinta, vinte anos da sua vida. A não ser minha madrinha, que continua exatamente igual (impressionante). O negócio é que as mulheres (porque sim, estamos mesmo é falando de mulheres) mudam pela ação do tempo, algumas, naturalmente (ou nem tanto, porque privação do sono e subnutrição antecipam tudo, assim como o fumo), e outras mudam pela ação da tecnologia. Mas já vimos que é impossível, pelo menos até agora, que você, mulher, com 60 anos, continue se parecendo com você de 30 anos, aquela você cheia de colágeno, alvo de suas próprias críticas quando se via no espelho e nas fotos. O que é possível é você parecer ter um pouco menos de 60 anos, parecendo ser você mesma, o que estão chamando de “envelhecer bem” (por enquanto), ou parecer outra pessoa, com uma idade um pouco indefinida, mas com certeza bem menos de sessenta anos, retirando aquilo que torna alguém uma pessoa de 60 anos: ruga...