Viajar para correr e correr na nova casa

Antes, quando eu dizia que ia correr em casa, era em Floripa. Mesmo quando eu morava em Blumenau. Vejam, a cidade me recebeu muito bem, fui muito feliz e fiz amigos incríveis, na corrida e fora dela, durante o tempo em que morei em Blumenau. Mas era difícil considerar minha casa. Coisas de peixeira, sabe? O mar. Sem o mar eu fico perdida. Adorei morar em Brasília. Moraria novamente, cidade incrível, feita para virginianas, com suas quadras, números e lógica perfeita. Clima bom para a pele e para o cabelo. Tinha o lago Paranoá...mas não era o mar. Difícil considerar home um lugar sem o mar. 
Agora eu tenho o mar. Agora, correr em casa é correr em Balneário Camboriú. Aqui é minha casa. Mas também vale correr na Praia Brava, que é geograficamente em Itajaí, mas para mim, continuação de casa, vizinhança. Afinal, meus treinos são subir o morro da rainha, e, descendo, já é praia brava. Ali é extensão, e tenho corrido muito lá.
Como sabem, adoro viajar para correr. Sempre que planejo uma viagem, acabo dando uma olhadinha nas provas da região. E, se não sei bem para onde viajar, escolho pela prova do final de semana. 
Comecei a correr quando morava em Brasília. Sem orientação, sem planilha, para desestressar dos estudos e do fato de estar quase sempre sozinha. É seco? é. É calor? é. Mas eu não conhecia outra realidade, então não achava nada demais. Era ótimo passar o ano bronzeada, para dizer a verdade. Mas naquela época não era como agora, não havia tantas provas de corrida, nem eram tão divulgadas, e nem eu tão interessada. Então eu corria nas quadras, no parque da cidade, na esteira se não sobrasse opção. 
Pois eis que me dei conta de que nunca fiz uma prova em Brasília. Ótimo, porque ir para Brasília é bem mais fácil do que para Berlim, onde também nunca corri. Adoro passear na cidade, e ainda tenho hospedagem com uma amiga sensacional que fiz por lá, a carioca menos carioca que conheço, Maria Rosa. 
Fomos para comemorar meu aniversário, no final de semana anterior a ele. Sim, viajar no aniversário e correr no aniversário são sempre meus objetivos,e  se puder juntá-los, como no caso, tenho a comemoração perfeita.
Mas eu estranhei o clima e o ar, não vou negar. Muito tempo se passou desde que voltei de lá, mais de dez anos, e fui fazer o Circuito das Estações. Ao contrário do sul, lá larga às 8h, tarde considerando que às 7 e meia já está acima de 25°.Ninguém parecia se importar, só eu. Bem feito, haole.
Quis fazer uma prova tradicional porque a organização, quando a gente está viajando, é importante. Kit corretamente entregue, na Centauro, sem tumultos. Linda bandana, camiseta de qualidade. Ah, nem tudo é perfeito. Encomendei, como sempre faço, a personalização da camiseta, e na hora me escrevem o nome com I. Ah, pessoas, só quem já passou sabe como é chato esse negócio de errarem o nome da gente. E, no caso da camiseta, a gente informa na inscrição, então claro que não escrevi meu nome errado, eles que mandaram o transfer errado. E aí eu reclamei, até porque ela não me mostrou antes do decalque, e a mocinha disse: puxa, que droga. E foi isso. Ja fui mais estressada...
Mas a largada organizadíssima, muito espaço (Brasília é assim, tem espaço), e tudo aconteceu dentro do horário. Poucas tendas, não sei se por normas ou por opção.
As pessoas pensam que Brasília é uma cidade plana. É um planalto, e boa parte dela fica no plano. Mas vai lá correr no Eixo Monumental, onde ficam os ministérios e termina na praça dos Três Poderes (ou começa), e aí conversaremos sobre planície e planalto. Larguei, e mantendo um pace excelente, comecei uma subida sem perceber. Só notei quando me faltou o ar e eu achei que era a altitude cobrando seu preço. Até era, mas quando olhei para trás, vi a inclinação. Não é um morro, mas é uma subida, não íngreme, mas constante. De mais de 2km. 
Eu, que fui para fazer um tempo legal e ser feliz, mudei a meta para terminar a prova. Sem dignidade, só terminar. Porque quando acabei de subir e vi a ambulância, tive pensamentos sombrios.
Depois eram mais de 2km de descidinha, fazia a volta e, então, claro, a subidinha de volta. Mas aí eu estava mais preparada, não gastei energia desnecessariamente na descida anterior.
Nunca tinha visto tanta gente caminhando numa prova. Pensei que, por serem de lá, todos estariam acostumados. Talvez estejam, mas ainda assim foi necessário reduzir beeeem o ritmo. Quando eu passava alguém, sabia que a pessoa não me pegaria, ninguém conseguia melhorar o pace. Sendo assim, quando era ultrapassada, sabia que não pegaria. Não tem sombra, minha gente, só sol no lombo. E o suor evapora rápido pela secura. Eu, que estou acostumada a tomar pouca água em prova atualmente, tive que rever os conceitos e aceitar sempre que tinha. Se não fosse o gel que levei para tomar no km 5, não sei se teria terminado o percurso. 
Na descida de 2km final é que realmente percebi que terminaria a prova sem morrer. Aquela subida inicial me assustou, e demorei, mas  encaixei melhor a corrida. Acho que se eu morasse lá ainda faria as quatro estações do circuito, dá para melhorar muito o desempenho conhecendo o local. Não foi uma prova de tempo, mas depois do susto inicial, tive alegria. Tinha um sol lindo, estava onde queria, como queria. Correr ao lado do memorial JK, um dos meus lugares favoritos, foi bem especial. Consegui, apesar de não estar confortável, ver a paisagem que eu queria, que eu sonhei em ver. E isso é o que vale. 
Marido foi junto, me filmou, estava comigo no final, aquele final que a gente fica meio perdida quando não conhece ninguém, e na volta ainda assisti à maratona olímpica. Eta alegria total!!

 Essa é para quem acha que é tudo planinho...



Na volta, semana após o aniversário, corrida em casa, Circuito Brisas. Podem zoar, lá fui eu fazer prova feminina de novo. Não curto muito. Eu ganhei a inscrição, cortesia da Caixa, e as meninas da Gamboa iam, além de ser, bem, em casa. 
Organização da Corre Brasil, mimos no kit, botei no instagram. Mas a qualidade das camisetas deixa muito a desejar. A regata é péssima, não dá para usar. Uma pena.
Eu adoro mochilinha, nas provas da Ativo, ou O2, sempre tem, a gente usa tanto depois...valorizo. No Brisas não tinha. Mas legal pegar o kit no Brava Sushi, com uns agrados para as meninas, não cheguei a usar, mas paquitagem às vezes é legal, Mulheres que Correm sabem disso, e valorizamos!! Quem não quer ser bem tratada?!
Uma coisa que gostei é que não tinha pacer namorado, amigo, treinador, dessa vez. Pelo menos não tão descaradamente, o que torna tudo mais honesto. Mulheres disputando com mulheres, sem homens velozes dando ritmo.
A largada era meio apertada, e mesmo estando acostumada a correr na região, o percurso tem muita lajota, e como é praia, muita areia por cima, para desenvolver a velocidade é ruim. Ali é território conhecido, o que me facilita a vida, mas também para quase todas as outras, muitas locais correndo. Duas voltas de 5km, não é o meu favorito, mas fazer um percurso de 10km com o mesmo nível dos 5km é realmente difícil, não tem tanto espaço, vide prova da Unimed que virou de aventura para os 10km. 
Fui para fazer um bom tempo, baixar dos 50' e desencantar de vez, e me esforcei. Fez calor, não estava facinho, mas era uma prova gostosa, com gente conhecida, boa energia, sabem?
Então, acho que eu faria em menos de 50 minutos. E fiz, em menos de 48. Mas não eram 10km. Não posso mentir e dizer que fiz os 10km em 47'52" líquidos, porque eu fiz esse tempo, mas corri 9km700, aproximadamente. Parece bobagem, mas 300 metros é margem de erro do ibope, Correndo com pace de 5' por km, daria um minuto e trinta a mais. Mas nunca saberei quanto daria, fico meio louca da vida. A parte boa é que rolou um trofeu de categoria mesmo assim, terceiro lugar, e, o mais importante, a categoria era de dez anos,e  não de cinco, e isso faz muita diferença, considerando que era de 35-44, e estou na segunda metade dessa conta. 
Para mim, uma grande diferença entre correr fora e em casa é o peso, a pressão. Em casa, eu me sinto mais pressionada, sim, fico beeeem mais nervosa e quero ter um desempenho melhor. Viajando, faz parte do passeio, tudo é lucro. 
Fiquei super feliz porque o Diogo estava no final da primeira volta de 5km, me botou a maior pilha, e depois quando estava chegando também, veio junto, foi gritando,e  eu estava, sinceramente, quebrada, me deu um super cansaço nos 2 últimos km, não sobrou nada. E ele nem me deu bola kkkkk. Fico mega feliz quando o treinador acompanha, está lá na chegada, valoriza o empenho e o trabalho conjunto. 
Foi uma manhã deliciosa com o pessoal, e isso compensa a tal pressão. Ter amigos para abraçar no final da prova é muito bom!
Vamos em frente, que tenho mais assuntos para compartilhar! beijos e bons treinos!








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