Night cold run e participação especial de Julieta Pinheiro

Há um pouco mais de um mês eu me inscrevi na Itapema Night Run. Parecia uma ótima ideia, 8km (ou 4km) às 19h de um sábado. Estava calor na época, então a ideia de correr no final do dia pareceu realmente boa.
No domingo anterior tivemos a Meia de BC, com calor senegalês. Eis então que surge essa massa de ar polar, ou qualquer que seja o nome que os meteorologistas deram, mas que eu chamo de um frio da p. Já deu para notar que não gosto do frio. Para nada. Nem para dormir, meus pés são muito gelados, e se encostam no meu corpo já não durmo. Meu corpo fica duro. tensionado direto. Não gosto de correr no frio, sou do contra, tenho frio no rosto. Falei para minha mãe, quando corro no frio tenho a sensação de que se eu sorrir minha expressão nunca mais vai se alterar. Congelo. Tenho frio no ouvido, de modo que tenho que correr com algo cobrindo, ou seja, só fico mais linda. Ô. Mas correr no frio tem as vantagens do rendimento para a maioria das pessoas, ainda mais o frio brasileiro. Para o meu rendimento a diferença é que quero terminar logo, ter calor logo. Quando o suor esfria depois de um treino no frio...é de matar.
No sábado de manhã me deu aquele arrependimento básico de ter me inscrito. Só que a planilha já incluía a prova, ia me atrapalhar toda, e como sempre, acho que vou me arrepender se não for, fico pensando naquilo e ainda vou olhar os tempos. Péssimo. 
Fomos, todos de casa, que beleza. Kit pegava na hora. Eu até queria que o Arthur participasse da corrida kids, mas era cobrada, em valor expressivo. Acho o fim. A estrutura já está montada, cobrar das crianças que não chegam nem a tomar água, para dar uma medalhinha...mesquinharia, desculpa. 
Eu achei que a prova seria pequena, e foi. A organização diz que eram 400 inscritos, mas não sei se tinha todo esse povo. Frio. Ai que frio. 13 graus. E era na areia da praia, porque em Itapema é onde é possível correr. 
Mas eu fui pensando em uma prova tranquila em termos de atletas. Quando me inscrevi, pensei em estimular provas de corrida em Itapema, nunca tinha visto nenhuma lá, e imaginei que fosse correr o pessoal da região. Ledo engano! Conheci gente de Imbituba, Tubarão, Torres!! E o nível dos atletas estava altíssimo!!!! Incompatível com a organização da prova. Não tinha chip. A inscrição não foi barata, e não tinha chip. Prova sem tempo líquido é algo que não dá mais. Eu não fico lá na frente me espremendo para largar atropelando o mundo, e não sou elite o suficiente para ir para a linha de frente, acho feio me meter quando não vou manter depois. 
E é isso que tem que fazer nas provas sem chip. Perdi uns bons 30 segundos nessa largada confusa e afunilada, fazer o que? 
A moça que falava ao microfone chegou a dizer que não havia controle de retorno, ou seja, você podia fazer o retorno onde quisesse e voltar para a chegada sem ter completado o percurso. Era na base da confiança total. Isso se chama amadorismo. 
O percurso tinha aqueles riozinhos na praia, que no verão são tranquilos, mas molhar o pé no frio dá tristeza. Na ida eu dei a volta, perdi um tempão, então no retorno, que resolvi #socarabota (sublimáticas, para vocês), me joguei e pisei na água mesmo, e nunca mais me aqueci, só no carro com ar quente no pé. Mas valeu a pena, para a areia fiz um bom tempo, 42'12 brutos. Os últimos 3km fui super bem, apertei, e cheguei com sobra. 
E eis que descubro que as melhores realmente estavam na minha faixa etária. Com o tempo que fiz, na areia da praia, fiquei em 4º lugar da categoria. Felizmente premiava até o 5º. Algumas categorias nem tiveram 5 pessoas para premiar, mas a minha tinha bastante gente, e todas de alto nível. Foi muito bacana o desafio. Esperar a premiação foi a treva, um ventinho cortando e eu suada por baixo da camiseta. Aliás, a camiseta da prova era boa, e a gente ganhava uma sacolinha com frutas, água e um litrão de água de coco, mas quase que fico sem, porque era no meio da praça, sem qualquer alarde.
O prefeito da cidade estava lá, isso é importante para prestigiar o evento. Encontrei o Eduardo Hanada, do Loucos por Corridas, acho que estamos competindo para ver quem faz mais provas este semestre!
A experiência foi interessante, porque eu tinha feito provas noturnas no verão, e a unidade me atrapalhava bastante, então vi o outro lado. O ventinho do mar com o ar gelado não são fáceis, mas de fato fica menos sofrida a corrida em si. Depois do segundo km, quando comecei a sentir meus dedos dos pés. As fotos revelam uma prova com bipolaridade, eu feliz, eu triste, eu sofrendo...kkkk
Agora não tenho provas antes do treino coletivo, o que é bom para o treino render mais, a musculação também. Adoro fazer prova, mas muda o esquema todo da questão de macrociclo, mesociclo, e tal. Então agora é treinar. Sozinha e com as mulheres maravilhosas que estão se inscrevendo no Treino Coletivo.

Como eu tinha dito, vou divulgar as histórias de algumas corredoras, #mulheresquecorrem e que toparam dividir conosco sua experiência na corrida, o que as move. 
E começarei com a Julieta Pinheiro, uma juíza do trabalho como eu, que está no Rio Grande do Sul, é linda, inteligente, mulher, mãe, super multi power. Perfeita para falar da corrida, portanto. E ela é das minhas, se descobriu esperta para correr mais velha!
Vamos lá? aproveitem!!!

"Imagina uma corrida à meia-noite, iluminada por fogos de artifício e você renovando as energias e projetos para o novo ano: essa era a São Silvestre! 
Eu via as imagens na TV e ficava hipnotizada. Passados alguns anos, a prova mudou de horário, mas mesmo assim eu cresci dizendo que um dia eu correria a São Silvestre. Só que na época, o máximo que eu conseguia era me divertir em “pega-pega” e “polícia e ladrão”.
Na adolescência, eu mudei. Falava que correria a maratona de Nova York. Santa ingenuidade, na falta de comentário mais carinhoso. Não sabia sequer a distância da prova e estava longe de correr sequer 10km. Enquanto minhas amigas de handebol finalizavam os treinos de condicionamento físico, eu fazia exercícios de coordenação motora para ajustar braços e pernas que insistiam em tomar rumos diferentes.
Um belo dia, o projeto saiu do sofá. Não o da maratona, que ainda não iniciei e não sei se sairá da planilha em algum momento. Já era juíza. Frequentava academia, porém precisava de endorfina e alegria. Tive diagnóstico de endometriose severa, passei por cirurgias e um tratamento hormonal que me levou à uma endometriose transitória aos 30 anos.
Encerrada a medicação, aos poucos os hormônios foram voltando para o lugar, mas o melhor remédio para equilibrar o corpo e a mente era a corrida. No início, não procurei orientação especializada. comprei uma revista e saí seguindo a planilha, o que não recomendo. 
Fiz minha estreia e só parei durante a gravidez e a amamentação, e por conta de poucas lesões. No caminho, treinos, emoção em algumas largadas (lembrem, eu sou a menina que via e vê a São Silvestre), sorrisos esbaforidos em muitas chegadas, inclusive em uma delas de mãos dadas com o Daniel, meu marido e parceiro de corrida e correria. 
Também já fui vítima e agressora. A corrida pode ser perigosa às vezes. Numa maratona de revezamento, eu achava que estava sozinha num trecho que era de subida. Resolvi dar uma alongada nos meus braços de chipanzé e quase matei um desavisado que estava me ultrapassado. Eu sei: a culpa foi minha. Estava completamente errada. 
Em outra ocasião, caminhada na academia com olhos de presa no príncipe encantado, subi numa esteira que tinha sido deixada ligada e caí. Lá fiquei, de costas, feito uma tartaruga emborcada. 
E que corredora sou eu hoje, aos 40 anos?
A que tem técnico, recebe planilha individual semanalmente e não tem conseguido engrenar bem os treinos. A que se vira para conciliar trabalho, a rotina de amor das minhas meninas, o romance com o marido, a planilha e a alegria de viver, embora tenha semanas que tudo se confunda e nada saia conforme o planejado. A que ainda fantasia correr a São Silvestre e a maratona de Nova York, não 
necessariamente nessa ordem. A que correu duas meias-maratonas, incontáveis 10km e 5km. A que tem fé que correr não faz as bochechas caírem, nem outras partes do corpo mais abaixo, graças ao suor que escorre pelo rosto. A que adora quando alguém da família grita dentro do carro: “Lá vai a Ju no futuro!”. E eu olho e vejo uma mulher de shortinho, com 70 anos, no seu corpinho de 69 e meio, correndo na calçada. 
Bons joelhos e ao cálcio, meninas!!"

Ju, espero que realize teus sonhos!!!!


Comentários

  1. Parabéns pela prova, Andrea !!! Realmente saímos do forno na semana anterior em Balneário Camboriú para o congelador nessa prova em Itapema. Eu prefiro o friozinho para correr, mas nem tanto assim !!! Ainda mais na espera da premiação. No final deu tudo certo...mais uma pra nossa conta...rs. Até a próxima !!!

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