Treino Coletivo Mulheres que Correm - parte 1 - preparação

Na sexta-feira, dia 20 de maio, choveu. Como há muito não chovia em Balneário Camboriú. E o povo começou a perguntar no face e no whatts se ia ter treino no dia seguinte mesmo com chuva. Gente de pouca fé, eu sempre soube que não choveria. E Deus nos presenteou com um dia lindo de sol, e muita areia da praia para correr. 
Era uma prova de corrida? Não. Era "só" um treino. Um treino com energia de prova, organizado por mulheres e para mulheres celebrarem a corrida e o que a corrida faz pelas mulheres. Bom, correr é um exercício, certo? então a corrida traz os benefícios de um exercício físico para as mulheres. Aí é que está. Para a mulher, não é só isso. Pode começar sendo isso, mas cresce, e vira o melhor momento do dia, aquele só seu, aquele que você espera ansiosamente, porque vai estar com seus pensamentos, em conexão com seu corpo. E no final, tem a cara da loucura. A melhor de todas. 
Sozinha? Só se quiser. 
Opa, rebobina (sou velha). Do que estamos falando?
Quando eu vim morar em Balneário Camboriú, voltei a correr sozinha, como era no começo em Blumenau. Só que agora eu gosto de ter a opção de correr com parceria, especialmente nos longuinhos, e quem faz prova em equipe sabe como pode ser maravilhoso correr entre amigas. No começo não me importei, mas no dia da corrida da fantasia, em que eu estava ridicularmente de enfermeira, e não tinha ninguém conhecido para me zoar, eu confesso que me senti só...E comecei a pensar que seria muito bom organizar algo que permitisse que mulheres corredoras se conhecessem para depois ter a oportunidade de correr juntas. Claro, tenho o adicional de ter feito amigas preciosas na corrida. 
Só que eu tinha mais ideias a respeito da corrida e as mulheres. Já faz tempo que acho que corrida é forma de empoderamento feminino (tem gente que odeia essa expressão. Todos homens). Com esse espírito de que a corrida liberta a mulher, eu já vinha observando mulheres que mudaram suas vidas a partir da corrida. Superaram problemas, desenvolveram autoestima, e porque se viram e se sentiram mais bonitas, ficaram, de fato, mais bonitas. Há mulheres que, depois que descobriram que podiam correr 5km, perceberam que podiam fazer qualquer coisa que quisessem. Basta ter disciplina, determinação, foco, e treino. 
Com essa conclusão baseada em fatos reais, empirismo puro, eu quis mais. Quis que mulheres que nunca correram tivessem a oportunidade de descobrir que podem correr. Muitas nunca tentaram simplesmente pelo medo de não conseguir. E quanto a isso comecei a pensar que deveria ter algo a fazer. Já botei várias mulheres para correr, incentivando, desafiando, sempre dizendo para procurar orientação profissional, e tirando o medo da corrida. Mas sempre individualmente, quando tinha uma oportunidade. Sou aquela que nunca diz para quem está acima do peso para parar de comer. Gordinho adora comer, eu adoro comer, vou tirar a alegria da pessoa? Nunca. Sugiro outra alegria: vai correr. 
Ninguém começa correndo uma maratona. Aliás, ninguém começa nem correndo 5km. No início a gente sequer sabe o que são 5km. A gente sabe o que são dois minutos de sofrência. Até o dia que corre 5 minutos direto, e depois 10, e 20, e um dia corre meia hora e então descobre que meia hora podem ser 5km. Espetáculo. 
Além disso, tem gente que simplesmente sai correndo um belo dia. Além de perigoso, pelo risco de lesão e por não saber se tem algum problema de saúde, não traz muita evolução. Isso porque você faz sempre a mesma coisa, e, portanto, tem sempre o mesmo resultado. E essas mulheres saem para correr sozinhas, sem saber bem como fazer. E nem se imaginam em uma prova de corrida, acham que "não é para elas".
Juntando todos esses pensamentos, em um encontro com as sublimáticas da volta, expus meu delírio de ter mulheres celebrando a corrida, fossem experientes ou iniciantes, e sentindo o poder que dá dentro da gente depois que a gente corre, e, depois de um tempo, durante a corrida. E que tem gente que nem sonha como é fazer uma prova de corrida, essa coisa de pós treino, dispersão, todo mundo junto curtindo a endorfina final, se sentindo com missão cumprida.
E as sublimáticas, essas mulheres maravilhosas que a corrida me trouxe (só a Simone já era minha amiga antes), embarcaram comigo, e foram dando forma às minhas ideias soltas. Fomos pensando em algo que pudesse atrair interessadas em corrida, iniciantes que não tinham conseguido correr 5km ainda, outras que não passassem nunca dos 5km por receio, e assim vai.
Nasceu o Treino Coletivo Mulheres que Correm. Naquela noite todas opinaram, deram ideias, foram incríveis. Dali em diante foi dada a largada. Fomos criando etapas e desenvolvendo. Sem a genialidade criativa da Giovana, não teríamos nossa polva, símbolo máximo das mulheres, que fazem mil coisas ao mesmo tempo, Queríamos tudo: uma camiseta bacana, um kit verdadeiro, e coisas que ninguém nunca fez antes. Criamos um treino do jeito que gostaríamos que fosse para a gente ter vontade de ir. 
Quando a gente faz uma coisa de coração, e pensando que vai ser bom para outras pessoas, o universo conspira, podem acreditar. De repente, tudo começou a acontecer. Investi, é verdade, sem saber se as inscrições pagariam meus gastos iniciais. As camisetas tinham que ser encomendadas com quantidade certa, e pagamento de metade antecipado. Sempre soube que valeria a pena. 
Começamos a buscar apoiadores, gente que daria não dinheiro, mas algo seu, ou seu tempo. O Ricardo Bof, marido da Clenir, logo entrou conosco fornecendo Druss, energético diferente, com malte e sem açúcar. Assim também o pessoal da Frozenfit, os picolés deliciosos feitos basicamente com a fruta, comi o verão o inteiro. Ah, sim, sempre quis o apoio de gente que uma de nós conhecesse, não só a pessoa como os produtos. Aqui não tem jabá, tem confiança. Nossa ou de alguém que a gente confie.
Quando eu explicava o projeto, sei que falava com paixão, e isso ajuda. Mas teve gente para quem eu falei que comprou na hora a ideia e já me apresentou mais gente, e  saiu a fazer propaganda e espalhar. Mary Ellem, da Malebilet, que conheci numa noite de treino da Gamboa, logo pegou a ideia e me impulsionou permanentemente. Rosana também logo se animou. Mulheres que conheci rapidamente e que confiaram em mim. A Daia e o Diogo Gamboa acharam ótimo, me deram inclusive várias sugestões para próximos treinos, e se comprometeram comigo na parte técnica. Fora o espaço na praia.
As meninas em Blumenau foram fazendo a mesma coisa, e assim vieram os apoiadores todos, Wellness, sempre dando um passo à frente, A Ana Ruschel, profissional maravilhosa e irmã de coração, foi divulgar na imprensa e buscar mais apoiadores.
Vários ofereceram brindes para sortear, podem olhar abaixo. No final, sem qualquer pretensão pedi para a Gomes da Costa e eles super apoiaram, ganhamos muitas latas de salada de atum com batata doce para colocar no kit e na tenda. Os lenços umedecidos da feel clean foram uma baita surpresa, muita delicadeza na embalagem!
Fui apresentada à Ana Paula, da Quitanda Barra Norte, e conheci um novo significado de generosidade. Ela perguntou o que eu queria  precisava. E tudo o que eu queria ela fez melhor e mais bonito. E ela nem corre. Ainda. 
Inicialmente nós fomos atrás, mas nas últimas semanas que antecederam o evento, fomos nós as procuradas por empresas e pessoas que queriam participar. Isso foi maravilhoso!  
Até o fotógrafo Luciano desceu do céu quando era só o que faltava. O único homem no evento, coitado, sendo enlouquecido pelas #loucasporfotos.
Achamos legal criar uma distância para quem ia correr a primeira vez, 3km. Além disso, 5km e 8km. As avançadas podiam dobrar, ou continuar, como quisessem. Isso implicou ter que criar esses trajetos e depois demarcar, e alguém ficar lá para o retorno. 
Um diferencial que decidimos trazer foi a orientação profissional, ou seja, um acompanhamento por uma profissional para cada distância. Isso só em treino é possível. Falamos com a Daia, Grazi e Diandra, todas fortes e professoras.  
Chegou aquele momento em que o negócio era lançar e seja o Deus quiser. Abrimos as inscrições e as mulheres incríveis começaram a se inscrever, também estimuladas pelo lindo kit que estávamos preparando. A Solange Sol foi maravilhosa, trouxe meninas da Educative, mostrando o que realmente é o espírito da corrida. Meninas de Blumenau foram espalhando, no clube Bela Vista também, Anouke e Fran sempre fazendo a propaganda...entre tantas outras que silenciosamente foram apoiando.
O negócio é que essa não é minha profissão. Aliás, o treino nunca foi para me trazer dinheiro, obviamente. Então conciliar meu trabalho, minha família, meus treinos e a organização do Treino, principalmente depois da abertura das inscrições, não foi fácil. Todos os dias havia muitas coisas a fazer. Muitas. No final, quem mais se prejudicou foi meu treino kkkk. 
Algumas sublimáticas me ajudaram mais durante a fase de organização: Giovana e Simone. Sem a Gio, não sei se sairia o treino.  Ela também trabalha, e tem a Paola, com menos de um aninho. Sem a Si, não teríamos tantos apoiadores, que resultaram em sorteios de muitos brindes legais. Na fase de postagens no grupo do face, a Si também ajudou demais. Na organização final, e no dia, Amanda ativou o modo organização e coordenação e cuidou da entrega dos kits e controle das inscritas, e cada uma teve sua função, Muito obrigada Rita,Cris e Bruna por ficarem nos cones, A Karina só pode torcer de longe, pena, mas super entendo, a baby dela ainda é beeem baby e Curitiba é mais longe. Grazi, minha orientadora profissional das iniciantes, aquela que eu confio cegamente, e que ainda trouxe um tênis da 361 diretamente da Runningforlife para o sorteio final. 
Já escrevi tudo isso e não falei do treino em si. Então vão ser dois posts. Esse fica para dizer que ninguém faz nada sozinha. Que as mulheres podem se empoderar pela corrida. E que sou muito grata por ter amigas e mulheres que confiaram nessa ideia diferente de corrida e felicidade. E já fiquem sabendo, como disse a Gio, que quem não foi perdeu. 
Já conto tudo. 









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