Back to the game

Acho que já falei sobre como uma lesão me deixou medrosa. Nunca tinha me lesionado até 2014, e aquela fratura por estresse com tenossinovite no tornozelo me deixou mal. Recuperada totalmente, 2015 foi o ano do medo. Eu corria, mas sempre literalmente com um pé atrás, morrendo de medo de acelerar. Além disso, eu me sentia tão grata por ter voltado a correr, por poder correr, que toda corrida era especial simplesmente porque eu podia ir e completar, e tinha, de novo, medo de estragar. 
Mas eu não sou assim. Eu gosto de evoluir, de ser mais rápida, de melhorar meus tempos. Uma mala. E aqueles tempos que eu obtinha nas provas em 2012 e 2013, meus melhores anos até agora, começaram a ficar muito distantes da minha realidade. E eu não quis mais isso. Assisti (não ao vivo por enquanto, infelizmente) a palestra dos meninos da Wellness, Daniel, Maicon e Franklin, e definitivamente quero buscar a minha melhor versão. Descobri (ou decidi) que o meu melhor ainda está por vir, e preciso lutar para isso, porque é claro que perdi a evolução que estava em andamento. Mas nunca é tarde. E como comecei a correr mais velha, tenho certeza de que tenho o que queimar ainda. 
Para isso tem que treinar certo e treinar bastante (não em km, necessariamente, mas em frequencia). O corpo e a cabeça. Sou a melhor em me auto-sabotar, boicoto mesmo. Chego na prova e meus pensamentos me traem, me deixam insegura, não visualizo certo. E não adianta treinar sem preparar o cérebro,  algo que estou aprendendo ainda a fazer, tenho muito pela frente, mas já me sinto mais forte. 
É isso. Tem que se sentir forte para alcançar os objetivos.  E estabelecer objetivos possíveis, inclusive quanto ao treino. Se você não pode cumprir a planilha para fazer uma meia maratona, que tal mudar a meta para provas de 10km? Eu fui displicente com a musculação quando treinava para o Desafrio, mas simplesmente porque eu não tinha tempo para treinar para aquela prova e fazer musculação. Quando tinha tempo, priorizava sempre o treino de corrida. O resultado é que eu estava realmente frágil na prova e depois dela. 
A musculação, ou funcional, ou o que você decidir com o seu treinador, tem que ser cumprida também. As pernas e a musculatura exigida na corrida, como a região do core, têm que estar fortalecidas para poder correr. 
Planilha do treinador tem toda uma lógica, inverter os dias de treino, acelerar quando é para ser regenerativo, se exibir aumentando o pace ou a distância, são péssimas ideias. Sou uma cdf cumpridora de planilha. E olha que tem dias que eu acho que o Diogo é maluco em achar que consigo fazer o que está ali. Pois não é que eu consigo? Eu saio para fazer o treino completinho. E é o que faço, mesmo que no final eu ache que não consigo caminhar mais dez metros. Porque nessa hora é a cabeça que comanda. E é isso que eu percebi. Eu confio no Diogo e na planilha que ele me mandou. Então naturalmente eu conseguirei cumprir. Se no penúltimo tiro eu acho que não vou conseguir fazer o último, eu lembro que se ele disse que eu consigo, é porque é verdade, e meu corpo sempre pode mais um pouquinho quando a gente acha que já chegou no fim.
Fácil falando assim né? Não é, não. É duro. A gente tem dias ruins, difíceis no trabalho ou em casa, dias em que treinar é sorte no meio de todo o caos. Nesses dias, na verdade, é ainda mais importante treinar, para lembrar como aquilo melhora o dia da gente. A Paula Narvarez (do blog Corre Paula) diz que não acha que correr ajuda nos problemas, nem faz esquecer, porque eles continuarão ali. Para mim é diferente. Quando eu termino de correr, os problemas são vistos sob nova perspectiva, e geralmente não parecem tão grandes. Fora ideias geniais que tenho enquanto corro. 
Mas, voltando aos objetivos, para ser rápida, tem que sofrer. Ir para a prova querendo fazer um bom tempo é ir para sofrer a prova toda, e ter a glória no final. O que acontece muito comigo? Na hora eu tenho pre-gui-ça de sofrer. Que feio...
Na prova da Unimed eu já estava mais focada. E agora veio a meia maratona de aniversário de Balneário Camboriú. 
Não estava treinando especificamente para meia maratona, de modo que não tive muito tempo para me preparar. Mas eu e Diogo chegamos à conclusão de que era um bom momento para fazer, sem muito estresse. Só aumentamos um pouco a soma dos km semanais, e deu tempo de fazer um longo de 17km antes da prova. Mas como fiz super bem, fiquei animada. 
A prova foi em um final de semana que eu tinha vários eventos sociais e familiares, inclusive um casamento no sábado à noite. Mas na adversidade eu cresço.
O dia estava tão lindo neste Balneário Camboriú! Quando eu saí de casa o sol estava nascendo e ainda tinha lua, como não ser feliz e grata? Estava frio, não vou negar. Mas menos do que em Floripa. Ainda assim, corri de luvas até o km5. E de meia de compressão,  manguito de lã...passar frio não está com nada. 
Em geral, eu acho as provas da SB5 (o pessoal da GP Sports) bem organizadas. Desta vez estava um pouco confuso. Quem fez 5km se deu muito mal, porque não tinha marcação do retorno, e o povo continuou correndo, dia de prova é assim, a gente não se dá conta das coisas. Então não pode uma coisa dessas. 
Mas para quem foi correr a meia, estava tudo ok. Eu levei garrafinha com minha água para não depender da organização, e foi melhor assim. Os pontos de hidratação eram distantes um do outro, passavam-se muitos km sem nada. E como eu tinha bebido litros de água no sábado, como faço sempre em véspera de meia maratona, já sabia que o que eu tinha num dos mil bolsos do short seria suficiente. 
Uma das coisas mais legais em correr é você poder se conhecer. Seu corpo,seus limites, suas necessidades. Descobri que preciso de menos água numa prova do que eu achava. Eu ficava inchada de água, achando que tinha que tomar direto, sentia a água na barriga, era péssimo. Agora já sei que são pequenos goles, então prefiro nem usar os copos da organização. Ah, e também porque eu invariavelmente aspiro a água pelo nariz, e dá a maior confusão, lindo de se ver...
Outra coisa é saber se é ou não O dia. Aquele dia de fazer uma boa prova. Isso a gente descobre já no segundo quilômetro. Corre solto, as pernas vão...é um bom dia.
O percurso foi alterado. Fomos pela Atlantica até final da barra sul, inclusive correndo naquele molhe, uma coisa horrorosa correr nas madeirinhas, não tinha espaço para a turma da ida e da volta. Mas correr na orla é delicioso demais. A ida e a volta até a praça davam 10,5km, e o povo da dupla trocava ali, achei legal porque dava para a dupla se organizar bem, fazendo o primeiro trecho quem fosse mais rápido no plano, e o segundo quem fosse mais forte para subir. 
Depois fomos sentido Itajaí, rua Miguel Matte, que é subida constante, e Rodovia Osvaldo Reis, subidinha constante também, embora não íngreme. É daquelas que não termina. Fomos até a Praia Brava, e antes de subir a Rainha voltamos pelo mesmo caminho,  o que era bom porque tinha mais descida na volta. Nessas ruas não batia sol, vinha um ventinho gelado malvado.
Conversando com o Diogo, projetamos que eu poderia completar em 1h52 a 1h54, bem.Considerando a falta de treino específico, as subidinhas, achei que estava bom. Mas eu estava em um bom dia, e completei em 1h50'41". O mais importante é que eu fui fazer a prova para mim, eu queria me manter focada na prova e na corrida em si, sem pensar nos outros, só em fazer o que eu considerasse uma boa prova. Fazia muito tempo que eu não terminava tão feliz uma prova de corrida. Minha chegada foi de pura felicidade por completar do jeito que eu queria, controlando todo o percurso, com a mente focada nisso, e me sentindo de volta ao jogo, de volta aos meus objetivos.





Não foi um mega power tempo, não. Conheço tantas mulheres maravilhosas que fazem em 1h45, e até menos, mas agora esse era o tempo que eu queria fazer dentro do meu coração. E que eu precisava ter certeza de que era possível.  
O primeiro lugar na categoria foi um plus delicioso, não vou negar. Um trofeu de meia maratona sempre é importante. Embora não fossem muitos inscritos (em torno de 600, pelo que falaram), sempre tem gente boa e treinada, considero uma honra poder estar lá.
Terminada a prova, trofeu na mão e banho quente gostoso, vem aquela vontade louca de treinar para melhorar. Já não sou nenhuma mocinha, a recuperação é um pouco mais lenta, percebi nos treinos da semana. Mas terminei inteira!
Tenho várias provas nos próximos trinta dias, vai ser meio loucura. Divas Venezianas, Circuito Estações, Brisas...mas nenhuma delas será tão importante quanto um treino. Sim, treino. O Treinão Lugar de Mulher é na Corrida, dia 13 de agosto, em comemoração aos 10 anos da lei Maria da Penha, e para chamar a atenção sobre esse assunto sério demais que é a violência contra a mulher. Mulheres e Homens correndo por esse propósito. O próximo post será com tooooodas as informações e mais um pouco. Estamos preparando com muito carinho. 
Até lá!! 











Comentários

  1. Passold...
    Você está fazendo o mais difícil é o mais importante, que é seguir em frente.
    Não importa a velocidade tão pouco a colocação, o que vale é a felicidade no caminho..
    Correr é seguramente uma das mais belas e eficiente ferramenta para uma vida melhor, mais livre, plena e completa.
    Seguindo o caminho da felicidade e encontrando alegria durante o percurso, para isso fomos feitos.
    Obrigado pela citação e parabéns pela escolha de seguir em frente.

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