Gente como a gente, em busca do seu melhor: Ana Paula Martins e sua alegria!!

Eu demorei para conhecer a Ana pessoalmente. Ela seguia o insta das Mulheres que Correm (@mulheresquecorremoficial) e sempre tinha uma mensagem de otimismo e alegria para nós nos stories. Depois soube que era professora do filho da Simone, e que ele a adora. E percebi que ela era como nós, mortais, que luta contra o tempo (não só na corrida) e os compromissos em busca do que lhe faz bem. Com a série das maratonistas, nos aproximamos porque ela ia completar sua primeira, e foi em Floripa, depois dela virar maratonista, que nos conhecemos pessoalmente, embora parecesse que éramos amigas de infância! Por causa do blog e de Mulheres que Correm, Ana conheceu Sabine, ou seja, a corrida unindo pessoas, mais uma vez, bem como a gente planejou com o MQC. 
Ela é a mais entusiasmada ao falar da corrida na sua vida, e tem um perfil parecido comigo e com várias corredoras que conheço. Ótimo para nós, né? Vamos para a Ana!

1. Há quanto tempo corre? 
A corrida entrou em minha vida em 2014. Na época os colegas Robson e João (atualmente meu treinador) me desafiavam e diziam que eu nunca conseguiria correr. Pensem o que significa para uma virginiana alguém dizer que ela não consegue fazer alguma coisa. Lembro do primeiro dia que experimentei a sensação de correr. Eu tinha uma janela (aula vaga entre as aulas que dou durante o dia) e precisava ir ao banco (a distância era de aproximadamente 800 metros). Como havia vindo trabalhar de tênis resolvi ir até o banco correndo. Peguei minha carteira, meu celular e fui. Quando percebi estava diante do caixa eletrônico, com a respiração ofegante (obviamente), mas muito feliz. Resolvi me desafiar: "se eu vim correndo, consigo voltar correndo!". E foi o que fiz. Ao chegar na escola senti aquela sensação que nunca mais esqueci e que me move em cada corrida: a sensação de chegar, de conseguir, de cruzar a linha de chegada. A primeira coisa que fiz depois disso foi dizer ao Robson e ao João que eu havia conseguido correr um pequeno trecho. Eles me motivaram a começar a treinar e lá fui eu. Minha primeira prova foi na companhia da amiga Laura Chaves, no dia 27.09.14. Era o circuito Unimed de Blumenau. Num domingo cedinho lá estava a Laura me acompanhando. Percorremos o percurso de 5Km em 37 minutos, lado a lado. Cruzar aquela linha de chegada marcou o nascimento de uma nova Ana.
Nota: foi a primeira pessoa que conheci que começou a correr indo para algum lugar, adorei! Realmente, ser desafiada é algo incrível!

2. Você descobriu que era rápida e investiu ou decidiu tentar ser uma corredora de velocidade e foi treinar? 
Depois dessa primeira corrida em Setembro participei de uma do SESC em outubro, também de 5Km. Num domingo ensolarado, quente, corri na companhia de várias amigas (algumas iniciantes como eu outras mais experientes). Percorri os 5Km em 30minutos, o que me deixou extremamente feliz. Baixar 7 minutos de uma corrida para outra me motivou muito. Só que essa quilometragem passava muito rápido e eu queria um desafio maior. Resolvi me inscrever numa prova de 10Km: Corrida de Natal em Blumenau. Estreei nos 10 Km numa noite quente de novembro, num percurso repleto de subidas. Durante o trajeto eu lembrava a frase de meu treinador: "Não para. Se precisar diminuir a velocidade, diminui, mas não para, não anda!". Cruzei a linha de chegada emocionada com minha conquista: havia corrido meus primeiros 10Km em 59 minutos. E, depois desse dia, passei a me inscrever sempre em provas de 10Km com o objetivo de melhor meu tempo. Durante 2015 corri várias provas nessa quilometragem e treinava para melhorar meu tempo. Meu melhor tempo nos 10Km foi na Jaraguá 10Km: 47min. Até hoje me pergunto como é que consegui correr naquela velocidade. O percurso dessa prova tinha uma subida no estilo Rua Joinville de Blumenau e passávamos 2 vezes por ela. Neste ano corri duas provas nessa quilometragem: Blumenau 10Km (49 min) com a honra de dividir o pódio com a amiga Simone Andriani na categoria; Blumenau Night Run (49 min). 

 Notas: eu corri essa de Natal. Calor com umidade sem igual, não sei se eu ia querer continuar se tivesse iniciado com essa...Ela é das minhas, 10k! Aquilo que digo para vocês, é muito legal buscar algo a mais para a próxima, né?


3. Qual sua distância favorita? há alguma razão? qual seu melhor tempo nela? 
Mas, como canta Rita Lee "Um belo dia resolvi mudar, e fazer tudo o que queria fazer". Em 2016 estabelecemos a meta dos 21Km. Para quem corria 10Km sonhar com a Meia Maratona era algo muito desafiador (do jeito que eu gosto!). Os primeiros 21Km foram na Maratona do Beto Carreiro. Corri revezando com uma amiga. Nosso objetivo era concluir a prova num tempo abaixo de 4h. cada uma de nós correu 4 voltas de 5Km e terminamos a prova em 3h30min. Naquele dia provei para mim mesma que eu conseguiria correr 21 Km. O próximo desafio foi a Maratona do Bela Vista Country Club de 2016. Percorri aqueles 21Km deslumbrada com minha superação, era oficialmente Meia Maratonista. Terminei a prova em 1h48min, exausta e muito feliz. 

 Minha distância favorita é 21Km e meu melhor tempo nesta quilometragem foi de 1h48min. Porém, confesso que ao ter corrido minha primeira maratona fiquei bem "balançada".  Percorrer 42km é algo desafiador e mágico ao mesmo tempo e na mesma proporção
Nota e dica: Descobrir "sua" distância facilita muito para o treinador te ajudar a evoluir. Foco é importante. Ficar oscilando entre distâncias sem um objetivo específico pode atrapalhar uma melhora em todas elas, e no final dar uma certa frustração. Mas isso é normal no início...a gente se empolga mesmo. Legal é estabelecer metas para um ciclo de treinamento e ficar nelas. É uma maratona? Bom, então prepare-se para não ser tão veloz nos 10km. Claro que para fazer 21km você aumenta o volume, e 42km muito mais, então fica difícil manter os tempos bons nos 10km, muda o treino.  
Essa do Beto Carrero é bem desafiadora, mas o clima da prova é show!

4. Tem alguma prova favorita? qual e por que? 
 Que pergunta difícil... Gostei muito de correr os 21Km e os 42Km em Florianópolis. O mar, o vento (que refresca e nos exige muita força), a visão que temos ao subir a ponte (e olha que eu tenho uma relação tensa com subidas), me fazem ter vontade de correr lá sempre que possível. Como sou uma corredora em construção e tenho muito o que aprender, já fico projetando novos desafios em novos lugares. Mas, é necessário que eles  caibam na vida de uma profissional da educação (leia-se férias fixas no período mais caro para viajar). Diante disso, vou escolhendo o que se ajusta as minhas vontades e possibilidades.

 Nota: sou suspeita, acho Floripa uma das melhores cidades para correr, e já corri em vários lugares. Não me canso de correr na ponte na prova da O2.

5. Qual a melhor parte de correr distâncias menores e qual a pior? 
A melhor parte de correr pequenas distâncias é que  quando você acha que vai ter um troço, você cruza a linha de chegada. A pior parte (definitivamente) é correr no limite de nossas forças. Em quilometragens menores não há tempo de planejar. Quando a gente consegue concatenar as ideias a prova está no fim, 

6. Qual a parte sofrida do treino? 
Para treinar velocidade é preciso fazer treinos de tiro. Confesso que quando recebo minha planilha com treino de tiro, fico aflita. Depois eu faço e vejo que é possivel (claro que saio desses treinos acabada).  Mas, o "supra-sumo" da velocidade é conseguir se manter rápida num trajeto maior. Esse, para mim, é o mais difícil. 
Nota: para você e para todos os meros mortais, Ana! Os treinos de tiros são uma loucura, mas particularmente, para mim, são os que dão maior sensação de superação, se a gente não vomitar!

7. Qual a estratégia para buscar cada vez melhores tempos mesmo ficando mais velha? 
Eu penso que a "estratégia" é equilíbrio. A gente vai aprendendo a fazer escolhas (determina as provas e as metas para o ano) junto a família. O apoio de meu marido e de meu filho são fundamentais para que eu consiga manter a rotina de treinos e alcançar meus objetivos. Não consigo treinar nos horários que mais gosto (sou matutina! Amo treinar bem cedinho). Encaixo meus treinos em minhas janelas durante o dia (assim não "roubo o tempo da família a noite). Treino um único dia a noite (horário no qual meu marido leva meu filho pra natação).  A corrida é a oportunidade que tenho para me encontrar comigo mesma, enfrentar meus medos, resolver meus problemas, enxergar soluções que antes eram  "insolucionáveis" (acho que essa palavra nem existe). A corrida me constitui, me alinha, me dá lucidez, me organiza, me faz feliz. 
Uhu, gente como a gente, que faz como dá!! Ah, a solitude da corrida...plena. 

8. Suplementação: é vida? 
Para as provas de 10Km não uso suplementação.  Quando passei a me preparar para provas de 21Km e para a maratona, a nutri me orientou a testar em treinos a suplementação. Ainda estou aprendendo neste aspecto, mas costumo usar  Carbolitf (em pó misturado em água) e o carbo gel. Estava sentindo na pele que em percursos maiores a gente fica sem força para terminar a prova. Portanto, suplementação é vida!
Carbolift é a palatinose, um carbo de absorção e liberação lenta, que não costuma dar sensação de inchaço, eu acho bem bom para provas e treinos longos, porque você não sente fome e não precisa se entupir de gel. 

9. Alguma estratégia especial de alimentação para os treinos de velocidade e dia de prova? 
Dia de treino e de prova a alimentação precisa ser pensada estrategicamente. Capricho nos caboidratos (sem molhos), na proteína (frango) e saladas.  A hidratação é um ponto importantíssimo: aumento a ingestão de água, no dia anterior a prova e também no dia da prova, consumindo mais água e também água de coco. No pré prova (um dia antes e no dia)  nada de doces, pois eles não me dão a força que necessito para correr. 
Nem precisa ser nutri para saber que açucar no dia antes de prova rouba energia. Salada eu particularmente não como, por causa das fibras, corredor já tem o intestino mais, digamos, nervoso em véspera de prova.  

10. Tem alguma dica para quem quer correr curtas distâncias cada vez com mais velocidade? O pulo do gato...
Acredito, por experiência própria, que é indispensável a orientação do treinador. É com ele que a gente vai aprendendo e moldando objetivos. 
Além disso, percebo que: a alimentação deve ser equilibrada para o tipo de prova (em geral a combinação carboidrato, proteína magra, saladas e água); o sono regular,  a hidratação e a disciplina nos treinos. Como não sou veloz por natureza, preciso treinar para melhorar meus tempos. Tenho que cumprir a planilha para alcançar as metas estabelecidas. Por vezes é necessário adaptar o dia de treino, por conta da rotina profissional ou familiar, mas isso não significa deixar de treinar.  Para mim, o pulo do gato é treinar. 
Nossa, gente, juro que não sabia que teria tantas coisas em comum com a Ana quando a convidei para participar. Isso de não ser veloz por natureza e ter que treinar duro, deixa a gente muito esperta para a disciplina e foco, né?
Ana alcança tempos bem legais nas provas, e eu tenho certeza de que tem muito ainda para evoluir, é determinada e nós, virginianas, adoramos seguir método. E se tem algo na corrida que funciona, é método!





Comentários

  1. Obrigada Andrea, pela belíssima entrevista com esta pessoa mais que especial! A Ana é uma das pessoas mais determinadas e iluminadas que tive a honra de conhecer...Agradeço a Deus por nossa amizade , ela é minha musa inspiradora!!

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    1. Ela é linda, né? Simone que me apresentou no final das contas, e a energia dela é boa demais!!

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