Dez Milhas e Meia Maratona de Balneário Camboriú: aprendizados e alegrias

Adoro 10 milhas. Acho a distância perfeita. Respeito quem adora meia maratona, e como já falei, gosto muito de correr meia maratona, mas não gosto tanto de treinar para ela, porque os longos já são mais demorados, e nem sempre consigo treinar a contento no volume semanal. Dez milhas, que são aproximadamente 16km, são a prova ideal para quem gosta de fazer até 15km em treino longo, e ainda gosta de fazer tiros, como eu. Quando a prova vai ficar difícil, pode quebrar, acabou. Show. Fora que não precisa tanta suplementação nem preocupação com alimentação prévia. 
Pena que não é uma distância tradicional. Inclusive, a chamada para o povo se inscrever nas 10 milhas de São Paulo era: dê um passo adiante. A ideia era: quem corre 5km se aventurar nos 8km (5 milhas) para um dia correr 10km, e quem ainda não corre 21km, mas pretende, começar pelos 16km. O slogan se referia à prova como preparatória para o futuro, e não como um fim em si mesma. 
Eu só tinha corrido em São Paulo uma outra vez, também na prova de 10milhas, que foi na USP, e não gostei. Um calor horroroso, um percurso super estranho, sei lá, deu meio errado. Desta vez, quando vi que teria a prova, fiquei mega animada porque sairia do Ibirapuera. Ah, mas não era. Depois trocaram para o Pacaembu. Bom, já estava inscrita, já ia viajar, para mim não fazia tanta diferença, com exceção da paisagem. 
Prova padrão Ativo, sempre impecável. A largada foi pontual, cedão, 7h, mas ótimo porque não chega a ficar calor, água a cada 3km, dispersão boa na largada e na chegada, e eu sou assinante, então tinha a área vip, personalizei a camiseta...bem legal. A camiseta era bonita e fresquinha, mas a qualidade decaiu. Corri com ela para prestigiar, mas fiz uma gambiarra e dei um jeitinho de levantar as mangas e prender no top para ficar regata, com isso não fico aflita. 
Estava sozinha sozinha sozinha. É bom fazer essas provas de vez em quando, nas quais você assiste de fora as assessorias, equipes, amigos que vão fazer a prova juntos...você presta mais atenção nessas pessoas e na energia dos grupos. Bom para lembrar como é gostoso quando a gente também tem um grupo para tirar foto e comemorar, em vez de pedir para desconhecidos porque a selfie só pega seu rosto. Em compensação, o foco é bem maior, não tem outra distração. 
A surpresa foi quando peguei o número de peito e minha largada era no pelotão Quênia. Meu sonho, gente, sério. Tem gente que sonha ganhar a prova, eu só quero largar com quem ganha...Era pouca gente no pelotão, porque o pace para estar nele é forte, e acho que eles se basearam no meu melhor resultado nas provas da O2 para eu ir parar lá. Ou foi um engano. Kkkkkk. Eram poucas meninas e muitos homens, e na hora que largamos, bem na frente, foi um espetáculo. Uma gente rápida que te estimula! Claro que eu fui suuuper cavalo paraguaio, porque larguei voando, num pace impossível de manter, me animei atrás deles e com o fato de o primeiro km ser quase todo em declive. Vivi esse sonho, e dali em diante eram muitos elevados e passarelas, e tudo  o que tem subida nessa vida. Uma atrás da outra. 
Fui para fazer 1h30min de boa, quando comecei a subir já relaxei para ver o que dava, e no final consegui ainda dar uma apurada, fechei em 1h27'53", feliz demais porque assim como a largada era declive, a chegada...subidinha final. Melhor é chegar bem, inteira, e ter boa recuperação como tive.  E em uma prova com mais de 2500 inscritos, ficar em 6º da categoria e 36ª mulher, em São Paulo, está ótimo. Claro que se tivesse largado mais leve, teria sobrado mais para o final, dava para ganhar um tempinho ali com mais folga, mas fica o aprendizado. 
O melhor foi que fiquei focada a prova toda, corri direto (o que me custou cheirar água do copo, para variar), não estava pensando em quase nada, só em...continuar correndo. 
E no domingo seguinte, esse que passou,  Meia Maratona de Balneário Camboriú, em dupla com a Si, que vinha da Volta à Ilha punk com o grupo da assessoria dela em Blumenau. Então o compromisso era simples: dar o melhor de si que aquele momento permitisse e se divertir. 
Eu não peguei o kit, mas quem pegou para mim disse que estava bem confuso. A camiseta é minúscula, fica folgadinha no Arthur com seus seis anos. Este ano eram muitos inscritos, acho que vão ter que limitar, era gente demais o percurso todo. Água quente para mim na ida, posto sem água na volta para a Simone. Bem diferente do padrão Corre Brasil.
Que calor. De novo: que calor. Eu larguei, às 7h30min, e já estava calor. Quando cheguei na Praia Brava, depois de subir o morro da rainha, estava muuuuito calor, sem vento. Subi a rainha no meu esquema: correr até o terceiro poste, andar mais dois, voltar a correr. Não ia me matar porque tinham mais 3km depois. Estava focada de novo, e desta vez as fotos mostram isso, estou horrorosa em quase todas, mas na hora eu só pensava no que tinha que fazer, no plano traçado. Diogo Gamboa me disse para largar mais leve, me concentrei, e ainda tive que reduzir no primeiro km para não quebrar depois. 
Fiz em 55'30min, nada bom, mas digno para o momento e com aquela temperatura. Simone fez em um minuto a mais a volta, com mais calor, claro. Achamos que tínhamos feito uma prova digna pelas condições. Mas não foi só, ficamos em 5 º lugar das duplas femininas! Achei excelente! Bom para lembrar que o tempo é relativo, porque não eram 10km, eram 10,5km para cada, estava calor, e tinha o morro. Então, estava difícil para todo mundo, a comparação tem que ser feita nas mesmas condições. Fiquei super orgulhosa de nós. 
O melhor veio depois: Sublimaticas da Volta na minha casa, até a Karina veio, só faltou Amanda! Celebração entre sublimáticas, conversas e preparativos para o Treino Coletivo Mulheres que Correm, primeiro sorteio entre as inscritas, e muitos brindes entre nós, tacinhas se encontrando sempre!  
Como essa amizade maravilhosa começou? na corrida. Eu e Simone já éramos amigas, incentivei que ela corresse, hoje ela é minha musa, levei para o grupo inicial da Volta à Ilha, para o qual fui convidada inicialmente pelo Everton e fui me apegando, e formamos as sublimáticas, perfeitas nas nossas imperfeições que se completam. Sempre com a certeza de que juntas somos melhores. Sempre com planos. E justamente por isso pensamos no Treino Coletivo, porque toda mulher deveria ter o direito constitucional de experimentar a alegria de uma amizade na corrida, e celebrar aquele momento que é só seu que a corrida proporciona. 
Beijos, e esperamos vocês dia 21. 









Alegria de quem correu e descansou, sprint final de quem está terminando! Parceria sempre, e fugindo da dupla de trás

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