Sabe como é ser campeão de uma prova?

Não? Bom, eu também nunca cheguei em primeiro lugar em prova alguma. Cheguei em segundo lugar na primeira prova de aventura que fiz, em Jurerê, e achei o máximo. Já fui o primeiro lugar na minha categoria, e isso pode significar ser a décima colocada na prova, por exemplo.
Mas não é isso que define, necessariamente, a conquista de um atleta amador. O que nos define, para mim, é  o alcance das metas.
Já falei sobre a importância de se ter uma meta, nem que seja manter a forma, emagrecer, ou ter saúde (esta deveria estar embutida em todas). O que acontece é que, a partir do momento em que realmente você começa a correr, inevitavelmente acaba traçando metas: correr mais km, mais rápido, trilha, aventura...porque é assim que se evolui, até para quem tem o objetivo de emagrecer. Depois de um certo tempo, continuar correndo cinco km em 30 minutos, no mesmo ritmo, três vezes por semana, vai deixar de surtir o efeito desejado em termos de emagrecimento, porque o corpo realmente "se acostuma". E vai ficando cada vez mais sem graça também.
Na O2 deste mês, na coluna do Marcos Caetano ele trata da importância para o corredor de ter objetivos, e que podem ser bem modestos, como uma volta a mais no quarteirão. Eu digo que pode ser até ficar menos ofegante, ou cansado, ou dolorido, na próxima prova.
E eu tinha minha meta de fazer meia maratona em 1h50min este ano. Em Floripa foi um minuto a mais, e fiquei com isso entalado. Parece bobagem, mas para mim era importante, e um minuto numa prova de 10km é muita coisa para reduzir, mas numa meia maratona é mais fácil. E assim fui em busca do meu objetivo na meia maratona do Bela Vista, clube tradicional de Blumenau que fica em Gaspar (é, isso mesmo).
Depois vim a saber que várias pessoas estavam em busca de seus objetivos pessoais naquela prova, e alguns estavam estreando. Junto com a meia maratona, ocorre a Prova de Inverno com 6km, ótima distância para quem está acostumado a 5km, para quebrar a rotina, e também para quem vai fazer sua primeira prova.
Quanto à organização  tudo bem, a prova é tradicional  então já funciona sozinha, mas muita gente reclamou do valor da inscrição, considerando a estrutura da prova e o kit. De fato, não era barato. E era só a sacolinha e uma camiseta que até era bonita, mas de material beeeeem ruim. Ah, não tinha modelo feminino, de maneira que, novamente, vim para casa com uma camiseta para anão gordo: curta e larga. Sou feliz porque, mais uma vez, a Caixa Econômica acreditou em mim e patrocinou a inscrição, como de outros atletas correntistas.
Acho que, no caso dessa prova, o preço se compensa pela premiação em dinheiro, que atrai atletas profissionais, inclusive na prova de inverno, e pela premiação por categorias na meia maratona, que, como vivo dizendo, valoriza muito a prova e o desempenho por idade.
Mudaram o percurso, que ficou muito melhor, na minha opinião.
A crítica construtiva que faço é a mesma do ano passado: não tem tapete de largada com leitor do chip, ou seja, não há cômputo de tempo líquido, só o bruto, o que é uma injustiça. Eu não largo lá na frente, não tem pelotões, e e natural que o pessoal de 6km queira largar mais na frente. 
Acho que os últimos dias são inesquecíveis em termos de condições climáticas, certo? Pois é, começou a cair a temperatura, com a previsão de que todos vamos congelar, e para completar choveu. Muito.  Aqui em casa ja rolava o comentário básico (e com um tiquinho de sarcasmo) de que iriam cancelar a prova, que eu nem deveria acordar, que sou doida total, etc. Confesso que desta vez, bem dentro de mim, eu também estava pensando: qual é o meu problema? ir correr 21km no domingo cedo no frio e na chuva? Em Gaspar? Só que a vida do corredor é assim: o segredo é não pensar muito, só ir treinar e correr. Eu não faço muitas meias maratonas, continuo gostando mais de 10km, mas depois de inscrita, e com uma meta a cumprir, não dava para ficar em casa, depois eu ia me arrepender, e treinei para isso.
Simplesmente foi minha melhor meia maratona. Meu melhor tempo, meu melhor estado de espírito, cheguei feliz como poucas vezes. Em 1h47'28", abaixo do tempo previsto (líquido, né, porque o bruto deu quase 1h48'). Na verdade, eu me senti como se tivesse vencido a prova. Todos que conheço conseguiram baixar seus tempos, porque a verdade é que estava ótimo para correr. Incrível! Choveu, e por uns 4 km choveu forte, e eu fui de touca térmica para cobrir meu ouvido, e não coloquei boné (fica a lição, boné por cima fica feio, mas é melhor). Não estava todo aquele frio, só o suficiente para não dar calor durante a prova. Corri de calça, não estou acostumada, mas deu certo, a chuva batendo nas pernas é algo que me incomoda profundamente.
Postos de água em número suficiente, com água em copinhos, trânsito totalmente organizado para nos dar tranquilidade, e gente na frente de suas casas em pleno domingo chuvoso, aplaudindo os corredores. Fora o pessoal nos pontos de ônibus contando as mulheres e anunciando para cada uma que passava sua colocação na prova. 
Eu finalmente consegui até tomar água depois do gel de carboidrato sem caminhar, corri a prova toda. Viva coach  Everton e seu plano de suplementação durante a prova, e dr. Fábio pelo pré e pós, além da nutri Nadia pelo conjunto da obra.
Terminei a prova muito bem, e fiquei com o segundo lugar da categoria. Durante a prova eu me sentia tão bem que alguns acharam que eu poderia fazer em 1h45min. Mas o bom de a meia não ser meu forte, é que não tenho pressa, de maneira que é um objetivo de cada vez. Agora que sou uma sub 1h50min (EEEEEEEEE), posso pensar na próxima meta. 
Claro que o queniano veio para ganhar a prova e o da Tanzânia para ficar em segundo...mas isso não nos pertence mesmo, é so aplaudir, até porque essa é a profissão deles, e é um mercado difícil.
Os seis km estavam bem disputados, vieram atletas de outras cidades, a querida Simone de Jaraguá veio e papou o terceiro lugar, super merecido, ela é uma profissional em otima fase. Difícil para os amadores que sonhavam com pódio...
Como vi varios estreantes nas duas distâncias, mais uma vez pensei como e democrática essa tal de corrida. A superação está em toda parte, especialmente para aqueles que nunca sequer se imaginaram corredores, e agora têm sua primeira medalha, com orgulho de ter terminado. Nosso prefeito mais uma vez estava lá, correndo e dando o exemplo.
Na Runners deste mês tem uma reportagem enorme sobre as provas de 5km, dando dicas para o dia da prova, treinos, e mostrando como a prova pode ser útil inclusive para os mais experientes (e alguns, infelizmente, desdenham da distância). A matéria apresenta os diversos objetivos de quem corre 5km, eum deles é: se divertir! E é isso mesmo, ainda mais se voce tiver um grupo. Na mesma revista, um colunista traz estratégias para manter a motivação no inverno. Recomendo, e valorizo.
Uma delas é comprar roupa ou tênis novos para correr, e comigo sempre funciona. Falando nisso, na O2 estão novos modelos de tênis testados por eles...uma tentação só.
Domingo tem track and field em Floripa, prova favorita de muitos, eu adoro. Tem 10km e 5km, kit alegria total, e a inscrição acaba se pagando por ele.
Por fim, parabéns a todos que treinaram, e tiveram coragem de levantar da cama no domingo para ir correr e dar o seu melhor. Isso é determinação e superação. Vamos correr!











Comentários

  1. Parabéns pelo blog Andrea !
    Vc tocou num ponto que acho bacana nas corridas de rua. Na verdade vc nao ta competindo com ninguem,ta competindo com vc mesmo, ta desafiando os seus próprios limites. E cada quebra de recorde pessoal é uma satisfação imensa.

    abraços, Martin

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  2. Por isso sempre queremos mais, não é, Martin? Obrigada por visitar!!

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  3. Oi Andrea.
    Parabéns por mais uma meia maratona da conta. Você arrasou, com direito a estrelinha. Parabéns pelo sub01h50. Que tempo heim, menina. Tá correndo muuuuito. Fico feliz demais por ti. Se fores fazer a track field, desejo bons kms pra ti.
    super beijo
    Helena
    http://correndodebemcomavida.blogspot.com

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