Treinos de verão, Parceria e a Ponta do Papagaio

Então, pessoal, passou o carnaval, daqui a pouco já é páscoa. O ano começou, não tem mais jeito. Isso significa que o modo "treino de férias" chegou ao fim para todo mundo. Eu nunca fui fã de ficar off no final do ano. Nem duas semaninhas? nem duas semaninhas. Posso fazer mais matado, não cumprir a planilha, mas atualmente não gosto nem de ficar sem planilha no período. Li as revistas todas, falando da importância de dar uma variada, de preparar para o período de base, e eu mesma já fiz isso. No final de 2013 estava, sinceramente, de saco cheio de correr, tinha tido um ótimo ano, mas puxado. E só queria saber de nadar e pedalar. 
Em 2014, com a lesão, eu não tive opção senão nadar e pedalar no período da comilança, digo, de férias. Na época não adorei, não. Quando voltei a correr, em janeiro, de leve e tal, foi sofrido demais.
Por isso em 2015 não parei. Desacelerei apenas, mas não parei nem uma semana. Inclusive, orgulhosamente, segui a planilha. Com exceção da velocidade prevista, que nem sempre deu certo. Eu não como muito no verão e nas férias em si, mas eu bebo vinho com muita alegria, e Magners, e talvez espumante...opa, fugi do assunto.
Enfim, foi ótimo porque não tive queda no meu condicionamento. Me mantive bem. Masssss, isso só aconteceu porque eu me inscrevi para a prova da Ponta do Papagaio. Adoro essa prova, já falei dela antes, e para este ano montamos um trio felicidade pura, composto por mim, Rita e Cris, parceiras tops, como só sublimáticas podem ser. 
Com a prova marcada para 21 de fevereiro, não dava para ficar parada em janeiro. Tanto que até fiz bem feitinha a prova da Fantasia de Balneário Camboriu, que foi dia 07 de fevereiro. Claro que era for fun total, a pessoa não põe uma pseudo fantasia de enfermeira para correr seriamente (eu não, pelo menos), mas não fiz de qualquer jeito, quis forçar um pouquinho na areia. 
E treinei em horários ruins, 10h da manhã, sabem? não adianta treinar às 7h se no dia da prova você vai correr às 9 e meia, como era meu caso. Conforto demais no treino pode trazer decepção na prova. 
Para levar ainda mais a sério o treino de verão é ótimo a prova ser em equipe. Não tínhamos qualquer pretensão de tempo ou premiação, vai um pessoal forte nessa prova, mas o objetivo é terminar com dignidade e não fazer a parceira passar vergonha. Já tem que treinar. 
Todos os anos que corri na Ponta do Papagaio fez sol. E não era qualquer sol, era de torrar o coco. Este ano choveu nos dias anteriores. Na noite anterior chovia cântaros, com trovoadas muitas, para preparar bem a trilha para o pessoal hahahaha.
Claro, estou rindo porque não fiz a trilha, o povo disse que estava punk mesmo.
O dia amanheceu bem feinho, chuviscando ainda, mas a maioria do pessoal curtiu, porque ficava menos calor, claro. Dentro de mim, eu sabia que na hora que eu fosse correr, não choveria. Faria sol, na verdade. 
A organização da prova melhorou bastante. Teve quem reclamasse,  mas eu achei que este ano foi tudo muito bem feito. Com exceção da largada, que foi bem bagunçada. Acontece que é uma prova de 30km que podem ser feitos individualmente, em dupla, trio e quinteto. Além disso, ainda há provas de participação com duas outras distâncias. Fica mais difícil organizar isso tudo. E em geral deu certo. Tinha muita gente este ano, o povo de Blumenau descobriu a prova e encontrei amigos show de lá. 
A Rita largou e fez a trilha,  depois a Cris na areia e eu fechei a prova. Mudaram o percurso, e, além de acrescentarem umas duninhas (duninhas mesmo, porque dunas de verdade são na Joaquina, Rosa...), tinha uma parte de mangue que, graças à chuva, chegava até metade da minha coxa (ou seja, devia ter corredor com água quase na cintura), e era bem eca. Quando desci a duna e vi, comecei a rir. Po, eu só queria correr na areia...mas essa parte não me incomoda, não chega a transformar o trecho em trail, o percurso não é nada técnico e corresponde a menos de 3km, do total de 12km do trecho.  Depois cheguei na praia e era só alegria. Até porque, como eu previa, abriu um solzinho gostoso. Confesso que não fui para morrer, botei um ritmo de conforto e fui embora.
Na metade do trecho alcancei o Edson, marido da Cris, e ele me acompanhou até o final. Que maravilha que foi! 
Corrida é esporte individual, mas solitário só se você quiser ou se escolher provas como meia de Amesterdã sozinha (sim, era eu, mas ainda assim não sentia solidão, sentia solitude). O Edson me manteve com astral de correr bem, não impôs ritmo mas não me deixou relaxar, e fomos nos divertindo. Tinha muita água no caminho, e depois do mangue, não tinha mais apego, nem procurava desviar. 
Falha  da prova: acabou a água no posto da areia. Não pode. Ainda faltavam uns 4km, eu acho, e não tinha mais água. Ainda tinha muita gente para passar por ali, e normalmente, quem demora mais na prova, é justamente quem precisa mais de hidratação. Ah, mas acabou, fazer o que? corre e compra mais, pega da chegada porque ali dá para comprar no mercado, dá um jeito. Plano B. 
No final, terminei meus 12km inteira, tão inteira que podia ter forçado um pouquinho mais...quando estávamos quase na chegada, Arthur veio correndo junto, Cris e Rita também. A Cris ficou para trás e chegou com o Edson, e a chegada com Arthur e Rita foi muito legal, marido filmando. Amizade que só se fortalece, porque o Arthur jura que é bem amigo da Rita. 
Prova de verão é isso: treino duro no sol, reclamação do calor, desidratação...e astral de praia, todo mundo de biquini depois que termina, cerveja para quem gosta, espumante para celebrar entre amigos, o que pode ser melhor do que isso?
Sou suspeita, não sofro tanto no calor, adoro verão, então acho que nas provas de verão todo mundo está mais bonito do que com calça térmica de compressão e manga comprida...não?
A prova me mostrou, mais uma vez, como é possível ter parceria num esporte individual como a corrida. Fora que a  gente fica feliz em compartilhar o momento com os outros corredores, com a família que vai prestigiar, é bom demais! Tinha muita gente buscando superação, enfrentando areia ou trilha pela primeira vez, outros querendo melhorar tempo, outros apoiando e puxando o amigo...supimpa!
Agora já estamos em março, mês do dia internacional da mulher. Vou preparar um post especial para isso, mas espero que não fique por aí. Estou com umas ideias maluquinhas para celebrar as alegrias de ser uma mulher corredora. Para isso, estou muito interessada em saber: o que a corrida fez por vocês, meninas? ela mudou a sua forma de ver o mundo ou algum aspecto da sua vida? Você mudou quando começou a correr? E vocês, meninos, viram suas namoradas, irmãs, amigas, esposas, mudarem quando começaram a correr? Vamos falar sobre mulher corredora, autoestima e mudança de vida!! E vamos vivenciar tudo isso!!
Bons treinos!

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