Espírito Natalino

Não sou uma pessoa muito natalina. Gosto de avisar porque isso explica o fato de eu não ficar mandando lindos votos de Feliz Natal para todo mundo, com figuras e desenhos, por todos os meios possíveis: facebook, sms, whatsapp, etc.
Acho que este foi o primeiro ano em que não fui correr no dia 24, final de tarde. Costumo ir, para relaxar e ja aplacar a culpa da comilança que geralmente me aguarda.
Não fui porque ajudei minha mãe com os complementos da ceia (fiquei encarregada da salada-oba-, arroz com amendoas e espumante - sim, muito chique-, e uma torta de panettone com sorvete - tãããooo difícil), e estava calor demais, não tive forças.
Tive um tempinho para pensar no espirito natalino e a corrida. Porque o resto todo mundo já sabe, escreve e deseja. Como aqui nosso assunto é esse, quis focar, até para exercitar esse negócio de Natal que todo mundo adora, e que para mim é estranho desde que não tenho meus avós vivos - e aí já se vão quase vinte anos. 
Na verdade, sempre me pareceu estranho eleger um dia para que a fraternidade, solidariedade e amor ao próximo estejam realmente presentes e sejam importantes. Sim, o símbolo é necessário para a lembrança, especialmente porque celebramos o nascimento de Jesus. Mas isso faz parte da minha cisma com os dias especificos, como dia da Mulher, etc. 
Pensando em tudo isso, cheguei à seguinte conclusão: na vida do corredor, o espírito natalino está nos pequenos gestos, porque, como já disse antes, a corrida e um esporte solitário, mas também é solidário e de muita parceria e amizade.
Fraternidade e solidariedade? 
Estão: naquela prova em que você quebra total e um amigo que está melhor do que você resolve te acompanhar para você não parar; no parceiro que te acompanha no último km de corrida do primeiro triathlon da vida (depois de ele mesmo ter feito tudo); no atleta super experiente que te dá muuuitas dicas preciosas antes de uma prova importante; no desconhecido que para de correr, junta a tua garrafinha do chão e corre para te entregar, no meio da prova; no desconhecido que compartilha gel, isotônico, água; na "torcida" gritando palavras de incentivo quando você passa; no que atrasa o treino (ou a prova) para te ajudar; no treinador que te acompanha na prova importante; na amiga que topa fazer dupla em uma prova mesmo achando que vai ser um papelão; na parceira de equipe que vai correr mesmo doente, para não deixar a equipe na mão; na companheira que corre mais um trecho para a outra poder se recuperar; no namorado da amiga que dá carona e vira staff de toda uma equipe, e ele nem corre; na amiga que, grávida, não pode participar da prova, mas ainda assim organiza toda a equipe e  vai de staff; naquela amiga que corre ao lado gritando que, sim, você vai terminar a prova; naquele amigo que fica sabendo que furtaram teus tênis e te dá um igualzinho de presente...
Pois então, tudo isso eu vi durante o  ano de 2013, na minha vida de atleta, e muito mais. É o que mostra que a gente pode ter esperança no mundo. A campanha de doação de tênis foi um exemplo disso. Vamos transferir todo esse sentimento que da um calorzinho no coração para todos os aspectos da nossa vida?
Feliz Natal!

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