O que correr em 2018?

É, people, fevereiro chegou. Agora não tem jeito, hora de programar de verdade as corridas do ano. Digo isso apesar de saber que muita gente já tem tudo planejado desde agosto do ano passado. Mas eu não sou uma dessas pessoas. Tenho sonhos, ideias, metas...mas micrometas para as grandes metas, e estratégias, eu estabeleço mais no início do ano, até porque é quando sabemos  as datas das provas desejadas (tirando as mega power que estão marcadas desde a edição do ano passado), e como vão ser os treinos. Além disso, pelo menos no meu caso, janeiro é base básica, então ainda estamos montando o calendário do ano. Claro que isso porque somos amadores. Os profissionais não são assim. Só que os profissionais correm bem menos provas do que nós, amadores, que somos os financiadores das provas de corrida no Brasil e mundo afora. Por isso eles (os profissa) têm que saber com antecedência, dependem de patrocínio e bons resultados para mais patrocínio e, tipo assim, ganhar a vida com atletismo, o que não é fácil. A gente aqui até tenta a antecedência, mas a real é que, sem planejamento, na medida em que recebemos os emails com as provas, conversamos com os amigos, e bebemos vinho, vamos nos inscrevendo em provas que podem estar muito longe daquilo que era o pretendido e o ideal, na empolgação do momento.
Eu estou inscrita há tempo em duas provas que desejo muito fazer e são minhas metas do primeiro semestre, mas naturalmente pretendo participar de muitas outras provas entre elas, e de preferência que combinem com elas. 
Então acho importante definir aquilo que te moverá na corrida este ano. Você pode usar vários critérios para escolher as provas. Inclusive o da exclusão, ou seja, o que não quer fazer.
Existem critérios bem objetivos. Um deles é distância de casa. Por inúmeras razões, você pode decidir que não correrá provas num raio de mais de 60km da sua cidade de residência. Se você morar em São Paulo, é um critério insuficiente, porque ainda assim terá opçõessssss a cada final de semana ao longo do ano. Mas para quem mora em Balneário Camboriú, como eu, isso já limitaria bastante.
Também é objetivo o critério do dia: há quem não corra em sábados, seja por motivos religiosos (adventistas) ou práticos (trabalho aos sábados, ou o companheiro ou companheira, que ficaria com as crianças...). Isso exclui as provas da Ecofloripa, em sua maioria, como Volta à Ilha e Desafrio, e os famosos Mountain Do, em várias cidades, como na Praia do Rosa.
Objetivo também é limite de preço para inscrição. Gastarei até R$ 120,00 (tá rico) por inscrição, ou por mês...Na verdade, o critério econômico é bem importante. Provas longas exigem treinos longos, suplementação mais extensa...gastos. Provas de aventura exigem equipamentos...gastos. 
Aí vem as preferências pessoais...algo relacionado a piso e distância. A meta é fazer uma maratona este ano (não a minha, digo como exemplo). Será no primeiro ou segundo semestre? Dependendo de quando for, os treinos longos serão logo (ou não), e fazer muitas provas curtas pode tirar o ritmo do treino especifico para maratona, além de ser necessário correr forte enquanto ainda está calor; já uma meia maratona no meio do ciclo pode ser uma boa ideia...treino de luxo com hidratação e boas cias...
Aprendi com os treinadores que fazer prova todo final de semana não é exatamente a melhor ideia para melhora da sua performance, a não ser que tenha maturidade para realmente fazer provas como treinos, obedecendo o ritmo proposto na planilha. Eu não tenho. Mesmo assim, prova com frequência é de distância curta, claro, até 10km, para corredores normais, que não estão apostando nada com os amigos nem pretendendo provar alguma coisa (tipo correr uma maratona por semana o ano todo, como já vi os caras fazendo) para entrar em guinness.
Enfim, dentro das questões pessoais, vêm as metas: pretende este ano aumentar quilometragem, baixar tempos em provas, correr provas de aventura, correr prova no exterior?
É bom ter provas-alvo, aquelas que são as que realmente você pretende usar para atingir ao seu objetivo. "A" maratona, "os 10k", "a trilha", que não precisa ser única no ano, mas tem um limite do que você pode fazer para atingir o objetivo nelas, sabe por que? Se você tem uma planilha de treino (recomendo que tenha, para sair da zona de conforto e atingir novos objetivos), nela você tem uma base, que é onde estamos no início do ano, geralmente, que visa te preparar para não se lesionar ao longo do ano, dando força, flexibilidade e resistência, para que você entre na fase de treinamento específico para atingir seus objetivos, chegando no momento competitivo, e depois o transitório, que é uma recuperação com a queda do rendimento, porque ninguém treina no supra máximo para sempre. A gente atinge o nosso ótimo dentro do ciclo de treinos, e é ali que tem chances de realmente alcançar o melhor resultado, naquilo chamado de janela de oportunidades (há outros nomes e expressões, claro, e não sou técnica, é só para dar uma ideia).
Então, durante o período de base, se você fizer uma prova só porque a turma toda vai, porque é na sua cidade, ou porque é barata, sei lá, vai sabendo que ainda não está no top. Não crie expectativas nem se mate. Mesmo que você se dedique, dificilmente o resultado vai ser exatamente o que você deseja para o futuro. Se for, ótimo, pode até rever as metas porque está fácil. Mas se seu objetivo é fazer uma maratona em agosto, será uma boa ideia ficar participando de provas de 5km direto, sempre dando  o melhor? quando você vai ter treinos longos, que utilizem as outras fibras, as que você vai precisar para correr uma quilometragem maior?
O treinamento deve ser feito de tal forma que o topo é na época da prova alvo, e aí você vai aproveitar a janela e dar o seu melhor. É uma época de nervosismo, porque você sabe que está no topo e tem medo de não aproveitar. Por isso eu não ponho todos os ovos na mesma cesta, tento ter mais de uma prova alvo para o mesmo período próximo, de até um mês, com sorte, dois, , mesmo que seja uma meia maratona e uma de 10km, ou duas de 10km, para ter mais chances de chegar no meu objetivo. Nem sempre dá exatamente o que eu pretendia, não. E às vezes fico tão nervosa que vou melhor em outra prova. Dã.
No meu caso, dá para ter umas duas épocas de janelas de oportunidades no ano. Depois, vem a ladeira abaixo, a gente se esforça igual mas o corpo se faz de desentendido. Claro que isso não vale para todo mundo. Tem gente que faz o ano inteiro 10km em 44, 43 minutos (meninas)...mas aí fico pensando se elas não estão só no período pré-máximo...será que não chegariam a 41 minutos? Tem um ponto em que é muito difícil baixar um minuto, trinta segundos...e tem quem tenha seu ritmo de conforto com 4'20, e como isso traz bons resultados, pode se acomodar. Sonho meu, esse...
O legal de fazer prova é que não fica sempre treinando na solidão, pelo menos tem parceria (ainda que de desconhecidos) por uma parte do trajeto. Principalmente se você for capaz de segurar a velocidade e seguir o plano do treinador. Clima de prova é delicioso, a gente põe em prática o que vem treinando quanto à hidratação, suplementação...e depois de um tempo todo mundo tem suas provas favoritas, mesmo que não sejam as que se sai melhor, engraçado isso. Eu amei fazer o Mountain Do Praia do Rosa, foi uma das provas mais lindas da minha vida, mas fui tendo como expectativa terminar com dignidade, que foi o que fiz, aproveitando a paisagem e sentindo sempre que estava me esforçando, não tinha fácil lá para mim, correr em dunas é dureza, de modo que eu pensava: faz bem para o condicionamento, estou treinando força e sendo feliz. Mas é uma prova com um custo alto e que me obrigou a treinar correr em areia fora de época, mesmo sabendo que depois não usaria mais diretamente. Com o Volta à Ilha acontece a mesma coisa: prova linda, deliciosa por ser em equipe e em Floripa, mas cujos trechos exigem um treinamento que às vezes não têm nada a ver com os objetivos pessoais de cada uma do grupo, mas você vai. Vale a pena? Em geral, sim. Mas tem um preço. 
Se gosta mesmo é das trilhas, provas de aventura, tem a questão dos treinos. Cidades como São Paulo têm menos opções de locais para treino em terreno semelhante ao da prova. Mesmo aqui em BC, Florianópolis, porque muitos dos locais que depois fazem parte de provas como Mountain Do Lagoa, Costão do Santinho, ou mesmo Volta à Ilha, durante o ano não são nada recomendáveis para você ir sozinha treinar, principalmente pela falta de segurança.
Quem vai fazer aquela Uphill, que é subir loucamente a Serra do Rio do Rastro, tem que treinar...subidas!! Conheço gente que faz o treino basicamente em esteiras por absoluta falta de opção, ou em subidas curtas mas fortes, como temos o Morro da Rainha, ótimo para esse tipo de treino, mas é asfalto. Em uma das edições da Volta à Ilha, a corredora que me entregou em um dos trechos não tinha feito nenhum treino de areia fofa, e o trecho dela era todo nesse piso. Ela sofreu demais e acho que não se divertiu como poderia. A gente até gosta de sofrer, mas naquilo para o qual se programou, por escolha, não porque não se preparou, né?
Falo isso porque conheço tantas corredoras que gostariam de se aventurar em provas diferentes...tem provas muito legais, ultra trails, com percurso técnico e difícil, do tipo das K42,  mas não conseguem treinar nesses lugares, nem conhecer antes. Pode dar muito errado. Além disso, em algumas provas o organizador já quase te obriga a ficar em determinado hotel, pegar tal transporte...e você pretendia baratear teus custos! As provas de aventura costumam sair bem mais caro, não só pela inscrição, mas porque voce vai precisar de tênis mais específicos (e caros), roupas mais específicas (se for no frio, mais ainda), suplementação diferente, e em grande quantidade, e uma parafernália maior para levar na prova, que também tem um custo, porque a organização não vai fornecer tudo.
Lembrem-se ainda de olhar o organizador da prova antes de se inscrever. Alguns já são conhecidos por serem péssimos (des)organizadores, deixando faltar água, percurso mal marcado, falta de infra. Outros são tão bons que a gente faz a prova mesmo sendo menos legal o percurso.
Eu olho sempre no site www.corridassc.com.br as provas no estado, mas ele não tem todas. E o site da www.ativo.com tem as provas especificas desse organizador pelo país, que eu particularmente acho as mais bem organizadas do Brasil, e já fiz em São Paulo, Curitiba, Rio, Brasília...sempre dá tudo certo. Só tem  o defeito de não ter premiação por categoria...ou seja, você vai sabendo que é uma competição contra você mesmo de fato, você contra seu tempo anterior, dando seu melhor para recorde pessoal e tudo, mas  dificilmente rolará um pódio.
Então, esse é outro critério: provas maiores e menores, com premiação. Provas com premiação por categoria são geralmente provas um pouco menores, já as grandes, como meia de Sampa, Maratona do Rio (nas provas periféricas como a meia), não dão premiação por categoria e são 15 mil pessoas correndo, as chances são mais reduzidas (ou nulas).
Eu gosto de alternar, fazer provas da região, com menos gente, povo conhecido, premiação por categoria valorizando minha idade e meu esforço, e uma maior de vez em quando para "cair na real" e lembrar meu lugar no mundo da corrida, além de experimentar organizações diferenciadas, como a Corrida da Mulher Maravilha.
Simplificar é possível? Claro. Quem faz provas de 5km a 10km, fazendo as de 7km, 8km, que aparecem pelo caminho, com predominância de asfalto, geralmente pode contar com a hidratação da organização e não consumir nenhum suplemento durante a prova, no máximo um gel antes (mas não para 5km), não precisa seguir uma alimentação diferente além do saudável normal, e sua suplementação é mais em dias de treinos de velocidade e o longo da semana, se for de mais de 10km. Fica mais barato e ocupa menos tempo, os treinos são mais curtos e talvez até em menos dias, dependendo do combinado com o treinador. Você pode estar sempre pronto para fazer uma prova de 10km com dignidade, tendo objetivos mais modestos (número de provas no ano, tempo médio, por exemplo). Se forem 21km, o treinamento já é mais específico e um pouco maior, mas ainda cabe na vida de uma mãe kkkk. Já para maratona, como vocês viram nas entrevistas aqui no blog, alguma renúncia tem que ser feita para garantir o treino adequado, nem que seja renúncia à vida social, para manter a de mãe e de profissional intactas.
Conheço corredoras que adoram fazer provas, como eu, e têm que se controlar para não ser a louca das inscrições. Outras fazem uma a duas provas por ano, bem escolhidas, e gostam mesmo é do treino, tipo viajar, que o melhor é a preparação! Eu preciso saber como estou, porque treino é treino, prova é prova. Só na prova dou o meu melhor (e sei que até hoje não fui ao meu limite), e isso me dá uma certa confiança (ou me mostra no que preciso melhorar).
Eu sou mais do asfalto, e gosto de correr na praia, mas não como meta principal na vida. Este ano abri mão de correr na prova de revezamento Ponta do Papagaio, que vou desde a primeira edição. Para terem ideia, quando teve a primeira vez, eu e a Taty Sperandio formamos a única dupla feminina da prova, nem tinha trofeu para nós, porque não sabiam que essa prova atrairia mulheres. Hoje é diferente, minha timeline do instagram só dava Ponta do Papagaio, e a prova é uma graça, o lugar é lindo demais, a organização até hoje é média, mas como primeira prova do ano é muito gostosa. Só que minhas metas esse ano não têm prova de aventura. Nem Volta à Ilha vou fazer, então usar um final de semana de período de base para correr forte em areia fofa e firme, com mangue (porque eu não faria a trilha de todo jeito), não faz nenhum sentido, por mais que eu adore encontrar tanta gente querida numa prova como essa. Mas tenho que ter maturidade e saber a hora de renunciar. Troquei por um treino de 14km de ritmo no asfalto, que foi ótimo, e um de 6km leves hoje na areia dura da praia da Daniela, que são os treinos que se encaixam para o momento na planilha. E o melhor de tudo é que pela primeira vez não sofri em tomar essa decisão de abrir mão de uma prova que tem lugar especial no coração por uma meta racionalmente estabelecia. E não, não acho que "perdi". 
Cabe a cada um de nós estabelecer suas metas e, especialmente, os meios para alcançá-las, até para que os treinos sejam produtivos e estimulantes. Metas irreais ou que implicam em renúncias ou gastos incompatíveis com sua vida, esqueça, para não se frustrar. Fazer uma prova fora do país é uma meta sensacional, recomendo, e a escolha do lugar e da prova dependerá de inúmeros fatores além do correr e treinar. Correr longe, correr rápido, correr difícil...
Mentalize a alegria da chegada em cada uma das suas possibilidades e veja em qual dos pensamentos você sentiu as borboletas no estômago, o calorzinho, a gratidão e chegou a sorrir antecipadamente...agora visualize os treinos para isso, a disciplina, as recusas a convites para sair, a cara feia da família quando você sempre tem treino no final de semana, lembre da sua sensação quando termina o treino e percebe que colocou mais um tijolinho na sua casinha que é o objetivo final...agora junte os dois e você vai saber o que quer fazer esse ano. Aí é só se organizar para fazer realmente, e o mais bem feito possível. Não se distraia com provas lindas, próximas, caras ou baratuchas, com as amigas, com o lindo que conheceu no grupo, se isso afastar você das suas metas, porque depois pode ficar se questionando. Não vai questionar? Então se distraiaaaaaaa, e corra quanto puder!!!


Esta é a imagem que tenho na minha cabeça ao pensar no que quero para 2018. E vocês?








Comentários

  1. Engraçado, temos a mesma imagem!!! Prova difícil pelas condições do vento no dia, que treinamos sério e fizemos, com certeza, nosso melhor! Bj sis.

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