A decisão de encerrar um ciclo com estilo: correr uma maratona

São mais de sete anos de blog. Quando comecei, ser blogueira era ter blog, mesmo que não fosse a sua profissão, vejam só. Desde então, tenho compartilhado experiências, testado tênis, mostrado gel de carbo, falado de provas, roupas, comida...tudo relacionado à corrida. Conversei com pessoas que fizeram provas interessantes, com corredoras que tiveram câncer, com velozes...tive guestpost, apoios, trocas de ideias...
Sou uma leitora por excelência, meio ávida, certamente por influência familiar. Meus pais são professores e minhas memórias todas incluem livros perto deles, e de mim. Eu gosto de ler, e de escrever. Gosto da sensação de imaginar o que a outra pessoa está contando. Mas sei que o formato já não é mais o da hora. As pessoas gostam de "assistir" programas, de preferência rápidos, informações que vêm logo, e às vezes são esquecidas ainda mais rapidamente...ou programas mais caprichados, com imagens, como o Programa Fôlego, que eu adoro. Mas não é o que posso fazer aqui, não tenho tempo, estrutura, competência...
Mesmo sem ser algo a que me dedique com o afinco que gostaria, uso parte do meu pouco tempo livre para estar aqui e apresentar meu lado das histórias na corrida, pesquiso um pouco, nos casos dos tênis tenho responsabilidade, e embora os leitores não sejam como uma plateia de Youtuber, aos milhões, são sinceramente interessados, gentis e sempre contribuíram e me estimularam, o que me trouxe uma alegria e gratidão infinitas. Mas é hora de usar esse tempo livre para outros projetos, tenho tantos...e quero poder compartilhar mais sobre meus assuntos de aula de direito do trabalho, ou seja, outro público. 
Continuarei a falar de corrida no instagram, no facebook na página Vida é uma Corrida, e pelo Mulheres que Correm (@mulheresquecorremoficial). Tenho uma campanha em mente, relacionada, ohhhh, à doação de tênis, e vou precisar contar com todo mundo.
Então, para encerrar esse ciclo, vou publicar, nos próximos dias, diversos posts que fui escrevendo, uns maiores, outros menores, sobre a maratona de Buenos Aires, desde o momento da decisão de correr, até o fechamento da prova. 
Espero que curtam, que sejam felizes na corrida, que eu possa inspirar ao menos uma pessoa a correr, a distância que for, no tempo que conseguir.

Então, este ano eu queria iniciar o Doutorado. Ir trabalhar em Itajaí já era parte da estratégia para estar mais próxima à Univali e assistir às aulas. Estava empolgada mesmo. Ainda estou. Mas não vai rolar. Por motivos de orçamento (o meu, ausente) e de apoio institucional, não terei como bancar neste momento, pelo menos. Só que eu realmente estava atrás do meu desafio do ano, que seria voltar a estudar coisas diferentes, abrir a mente. Tanto que decidi ir para o curso de direito do trabalho na Universidade Sapienza, em Roma, "queimando" duas semanas de férias para estudar. Amei.
Mas percebendo que não ia rolar o doutorado, minha cabeça já começou a girar. Como costumo pensar que as coisas são como devem ser, já estou achando que este não é um bom ano para começar o doutorado, considerando o primeiro semestre exaustivo que tive. Aulas em quase todos os finais de semana, nas segundas-feiras à noite, todas, e outros dias, além do trabalho normal da Vara do Trabalho (de BC até junho), que é bastante, o livro que participo em dois capítulos, reforma trabalhista, etc.
Então cheguei à conclusão de que eu precisava de um segundo semestre menos, digamos, intelectual. Já tenho algumas aulas agendadas, mas não dá para aceitar mais nada, fiquei tão cansada...mas ainda precisava de um desafio.
E de repente veio e ocupou totalmente a minha mente. Algo que eu estava pensando, pensando, desde as entrevistas  para o blog: será que chegou a minha hora de fazer uma maratona? será que eu sirvo para essa parada? Antes de entrar no doutorado, com mais tempo para treinar, menos aulas, mais finais de semana livres...é agora. 
Eu corro desde 2007, com parada na gravidez, e como sabem, não era algo que eu desejava, alimentava, e sonhava como meta absoluta dentro da corrida. Várias distâncias me alegram, tipos de provas...via o povo treinando para maratona e não me enxergava me divertindo na posição. E preciso de diversão, além do desafio em si. Este foi um ano atípico, não tive NENHUMA vontade de corridas de aventura, trilha...já não sou tão fã, mas este ano, sem Volta à Ilha, sem possibilidade de moutain do, quis manter meu foco em melhorar meus tempos em provas de asfalto. E quem tem blog de corrida tem que ter corrida no currículo, né não?
De quebra assisti, na inauguração da nova Korrer, em Blumenau, palestra do Gustavo Maia, narrando sua busca pela corrida perfeita, e foi tanta emoção, tanta paixão pela distância...que aquilo ficou na minha cabeça. 
Antes de pensar demais, me inscrevi para Buenos Aires. Final de setembro, isso foi em junho, e o Diogo disse que dava tempo tranquilo para treinar.
Como nunca fui a fim de fazer uma maratona, até eu me surpreendi com a decisão. A Simone e a Ana Paula Flores também irem fez muita diferença...porque em casa o apoio não ia sair de início, isso eu já sabia. Mas não queria ir sozinha,  convidei os meus meninos para irem comigo, sem dizer a prova. Tola, né?
Confesso que tive dúvidas, mas acho que se eu quero experimentar, o momento é este. Se não gostar, não faço mais, ué. Nunca será desperdício correr e treinar, embora eu saiba que o desafio é diferente, e para manter o foco, reduz a participação em outras provas de corrida. Definitivamente, não é o momento de fazer 5km para a morte, por exemplo. 
Tomada a decisão, inscrição feita, contei para pouquíssimas pessoas, não queria criar expectativa nem para mim.Diogo, o treinador, e Nádia, a nutricionista, tinham que saber porque são essenciais. E começamos uma nova etapa. 





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