Que prova!!


É muito difícil definir a Volta à Ilha. O mais próximo é: UAU!!
19 seções, 400 equipes, 3700 altetas de toda a parte.
Uma das coisas que aprendi desde o ano passado nessa prova é a reduzir o espírito competitivo, porque você está pela equipe e para a equipe. E no nosso caso, equipe de participação, então é só corrida contra o tempo, já que temos horário para terminar. Mas não tem como ficar querendo ultrapassar as pessoas, marcar tempo bom, nada disso, porque tudo pode acontecer, são muitos os imprevistos.
Bom, para começar, as largadas são várias, começando às quatro e quinze da manhã, e as equipes largam de quinze em quinze minutos, conforme o tipo de equipe, digamos assim, que a organização define. É ótimo, funciona muito bem porque não tem tumulto. Este ano largamos às seis horas, até que foi tarde.
Ano passado meu filho era muito pequeno, e a largada foi mais cedo, não consegui estar lá na hora. Mas adorei, não perco mais. É muito legal. Primeiro, porque os atletas estão indo para lá, em grupos, ainda é noite, e está todo mundo sorrindo. E também porque é muito incentivo para o primeiro atleta ter os companheiros lá. Na hora nem estava chovendo, mas ao longo do dia tivemos momentos de chuva, nada muito forte.
Com essa largada em ondas, é praticamente impossível voce saber em que posição a sua equipe está ao longo da prova. Ou seja, mais uma vez, esquecer o espírito competitivo.
Nós nos organizamos na medida do possível, o Rodrigo é nosso coordenador, batalhou por mais patrocínio, nossa camisa ficou bonita (e suuuuper discreta, como podem ver na foto...kkkk), ele soube dividir bem os trechos, fizemos reunião, eu me ofereci para fazer almoço (salada de macarrão, com sustância, sem essa de sanduíche), e todo mundo treinando.
Outra característica da prova: por mais que voce ache que conhece os trechos, sempre podem estar diferentes. Se der sol é de um jeito, se chover é de outro, se cair o vento sul é diferente também. Exemplo: tem muita areia fofa nos trechos. Em alguns, como choveu no dia anterior, a areia ficou batida, muito mais fácil. Mas no Morro do Sertão, o trecho considerado mais difícil da prova (pela organização), quando chove...fica beeeem pior.
E então fomos nós. Preparei as marmitas do almoço e fui para o posto de troca do meu primeiro trecho, o 7, que foi um trecho novo, não tinha ano passado, então não havia referências.
Mas estava lá: muito, muito difícil, na descrição.
Era muito, muito, muito, muito mais difícil do que eu imaginei. Meu consolo é que vi desespero em muitos olhos além dos meus!
Começava bem, até o sexto quilômetro era praia, calçamento, asfalto, eu estava bem, bom pace, apurando o passo porque sabia que na trilha do morro não conseguiria ter velocidade.
E então chegou a trilha. E era de chão batido que choveu, com pedras, e estreita. E sobe. Sobe. Sobe. Eu não olho lá para cima, só olho para o que está acima do nariz, para não desanimar.
Era bem pior do que a trail running, porque era mais íngreme e mais longa, não terminava nunca. Para quem conhece Floripa, era o morro da Praia Brava, mas pelo morro mesmo, que quando a gente olha parece só mata com árvores.
Eu até subi bem, porque não me estresso em subidas, não penso muito e vou indo. Muita gente parava para descansar, mas eu não parei, não senti necessidade e tenho medo de depois ficar paralisada.
Mais ou menos na metade da subida estavam três bombeiros, estilo paramédicos. Que beleza, tudo o que eu queria era a certeza de que a própria organização da prova sabia que era meio kamikaze o negócio.
E então vem a descida...que para mim é bem pior, já disse que sou medrosa, e lá era muito forte, muitas pedras, escorregadio demais por causa da chuva. Começa a dar uma tristeza, porque aqueles que descansaram na subida, que eu passei, que eu tinha ultrapassado láááá na corrida no asfalto, estão vindo, passando por mim, pedindo licença, gente aos pulinhos, lépidos, e eu toda atrapalhada naquela lama com pedra com folhas no chão.
Parecia que não ia terminar nunca, uma vontade de chorar...mas não chorei até chegar e entregar para o próximo da equipe.
Quando saí da trilha, era descer o resto do asfalto e terminar na praia,  eu estava muito acabada. Minha maior frustração é a queixa de sempre, e tenho que realmente aprender: eu não conseguia correr, e eu gosto mesmo é de correr. Quando entreguei, estava cansada de tudo, e chorei um bocado, além de xingar o mundo todo, coitado do Rodrigo que escolheu o trecho para mim.
Logo em seguida vim a saber que muita gente se machucou, cortou pescoço, braço, perna, gente que rolou, e eu lá, inteirinha, graças à minha, digamos, cautela...rs
Na hora que terminei, devo confessar que pensei que não queria nunca mais correr, que não iria aguentar o novo trecho à tarde, que tinha sido a última, que a equipe iria se desclassificar...
Mas nada foi assim. E eu fui me recuperando, almocei, beijei um pouquinho meu bebê, e lá fomos nós (eu e marido motorista, coitado), para o posto de troca na Praia da Armação, morro das pedras. Pelo menos este trecho era o mesmo do ano passado, só que eles aumentaram a parte inicial de areia fofa. Sinceramente, àquelas alturas, nem parecia ruim.
E eu corri bem. Mantive meu pace, respiração encaixada, pernas se movimentando a contento, muito bom. Nada como um péssimo primeiro trecho para valorizar o segundo. E cheguei ótima, o Charles me esperando para fazer o morro do Sertão, e eu feliz com meu desempenho, a foto acima é com a Juju, minha enteada, depois desse percurso. Ela, aliás, foi super parceira o dia todo.
Dali fui para o aeroporto, outro posto de troca, para ver se estava tudo ok, se precisavam de algo. E fui para o último posto de troca com a Rita, a corredora do último trecho, super parceira. E na hora decidi que ia correr com ela. O pace dela não é alto, estávamos meio temerosos com o tempo para finalizar a prova (são detalhes para outro post, mas para esse eu preciso de autorização do grupo porque não foi comigo que aconteceram as coisas sinistras da prova), e eu me sentia muito bem.
Acho que eu tinha medo de perder a chegada, como aconteceu ano passado.
E então fomos. Eu, Rita e Amanda, que também resolveu acompanhar.
Lindo percurso, baía Sul em Floripa, vista para a ponte Hercílio Luz e o mar direto, ventinho sul para refrescar, e as três juntas bem contentes correndo.
A chegada é realmente emocionante, todos da equipe vêm ao encontro de quem está correndo, e passam todos juntos pelo tapete vermelho, tem muita gente vendo, o locutor anuncia a equipe, fala todos os nomes, e depois entregam as medalhas. A medalha é linda linda linda!!! E a sensação é a melhor possível.
Acho que vou ter mais o que falar da prova, mas queria logo compartilhar.
Muito obrigada ao Rodrigo por me chamar de novo, à Amanda pela organização, e em nome deles agradeço a toda a equipe Master Fiedler Adventure pela nossa maravilhosa aventura. Que venha a próxima!!








Comentários

  1. gostei muito do texto e fiquei surpreso em saber que o percurso que tu fez ( o primeiro) foi pior que o trail running em jurere .. fiquei cansado só em imaginar hehehe ... parabéns e espero ano que vem participar tbm .. abraço

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